segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Jon Anderson - Acústico. Bolshoi Pub - Goiânia 10 Dez 2011

A cidade: Goiânia - GO, Brasil.
O evento: Jon Anderson - Acústico.
A data: Sábado, 10 de Dezembro de 2011.
O lugar: Bolshoi Pub.


Noite úmida, não necessariamente fria.

Convenhamos... frio por essas paragens, só mesmo se houver algo de muito errado com o clima. Dizem que a poluição ainda vai virar tudo do avesso, mas acho que ainda não chegamos lá. Ainda.

Não havia a costumeira sensação de estar constantemente enfiado dentro de uma sauna sêca. Algumas pessoas até arriscariam - como de fato arriscaram - usar uma jaqueta leve. Em suma: clima perfeito.

A noite, ou parte dela, prometia ser boa. Jon Anderson, o vocalista e front man do lendário super grupo "Yes" estava na cidade para uma apresentação solo no Bolshoi Pub.

Antes de qualquer consideração sobre a apresentação, justiça seja feita: a direção do Bolshoi Pub não só oferece atrações musicais internacionais maravilhosas, como também consegue manter a verve da boa música em excelentes condições. Para quem verdadeiramente odeia música sertaneja, axé e variantes, o Bolshoi Pub é muito mais do que um verdadeiro oasis. Deliciar-se com a voz de Anderson saboreando uma autêntica Guiness ou qualquer outro néctar do vasto e variado cardápio de opções de verdadeiras preciosidades importadas... Santo Cristo, há mesmo necessidade de dizer mais alguma coisa sobre o lugar?

Há sim. Invariavelmente.

O Bolshoi Pub é um lugar para shows internacionais intimistas. Não se trata de uma característica essencialmente inovadora em algumas partes do Brasil e em tantas outras partes do mundo, mas em Goiânia isso é motivo para orgulho sim. E se a diretoria do lugar pode se enaltecer quanto à seus esforços para manter a categoria de uma casa de shows de classe, é certo de que seu público tem por verdadeira obrigação reconhecer tal valor.

Este que vos digita sabe muito bem como são as mazelas da organização e da logística para eventos de shows de bandas ou artistas solo. Mas nem sequer faz ideia de como devem ser as complicações para a realização de um evento envolvendo artistas internacionais. Mais um ponto para o pub.

A casa não estava lotada. Afinal de contas, a "Nashville Brasileira" - como certos incautos dizem por aí - não conta com público suficiente para lotar um estádio inteiro quando se fala de música de verdade. Trata-se de um fenômeno mundial deveras interessante: quanto pior o artista e sua respectiva apresentação, maior número de seguidores ele terá.

Quem se importa? Que assim seja. O benefício, nesse caso em específico e de tantos outros, é um maior teor de conforto obtido em um lugar especialmente concebido para se manter longe - bem longe - esse tipo de gente e seus respectivos ídolos.

Que fiquem em seus estádios e arenas. E que tenham bom proveito.

Era pouco mais de meia noite quando Anderson entrou no palco. Disse "Olá", e ao começar a dedilhar seu violão não deixou os ardorosos fãs do "Yes" decepcionados. Estava tudo lá, conforme era previsível: "I've Seen all Good People/Your Move", "Roundabout", "Owner of a Lonely Heart", "Soon", "Starship Trooper" e até mesmo algumas partes da antológica "Close to The Edge". Os clássicos provocaram arrepios. E também trouxeram as lembranças de épocas em que a música ainda era feita por músicos de verdade.

Anderson é comunicativo, bricalhão e parecia estar completamente à vontade com o pequeno público da casa, apesar de ter feito menção especial ao primeiro Rock in Rio, quando o "Yes" se apresentou para um público o qual, segundo as palavras do front man da banda foi "a experiência mais incrível" de sua vida.

Alternou os instrumentos de cordas com um belíssimo piano de cauda, mas sem pirotecnias. Não haviam sintetizadores, não haviam drum boxes, não haviam computadores e muito menos samplers para tentar disfarçar qualquer ocasional falha em seus maravilhosos vocais. Não havia a mínima necessidade de nada disso.

Os fãs do "Yes" e consequentemente dos trabalhos solo do artista  conhecem suas limitações quanto à instrumentos musicais e algumas pessoas até se surpreenderam com o fato dele saber tocar violão e arriscar algumas notas no piano.

Sim, eu confesso: ficou uma pontinha de desejo de ver e ouvir o virtuosismo de Steve Howe em peças como "The Clap" ou "Mood for a Day".

Mas nada disso teve força suficiente para encobrir o brilho da voz de Anderson e todo o requinte proporcionado por suas versões acústicas. Elas soaram leves, fluídas, muito mais alusivas à suavidade contemplativa do rock progressivo do que várias peças em que apenas o virtuosismo é o carro chefe da execução em várias canções do mesmo gênero.

Não é para menos. Toda composição praticamente começa a partir da mais simples das fórmulas: uma ideia na cabeça e um bom violão.

Curioso lembrar a influência da voz de Anderson na cena musical dos anos 70, quando até mesmo as rádios AM do Rio de Janeiro e São Paulo tocavam o gênero em suas respectivas programações diárias.

Mas engana-se quem pensa ter se tratado apenas de nostalgia. Havia gente de 18 a 60 anos de idade. Quem conhecia, se deliciou. Quem não fazia ideia do que ia ouvir, está exatamente agora procurando arquivos relevantes na internet ou remexendo as velhas e empoeiradas estantes de vinis dos pais ou dos irmãos mais velhos.

Há um belo clichê quanto à força do gênero e suas subdivisões, perfeito para ilustrar tais cenas. Alguém um dia disse: "Tudo passa, mas só o rock é eterno".

Além de suas características biológicas notórias quanto à sua belíssima voz - quando ele fala, temos a impressão de ser a voz de um menino - deve haver algum outro segredo muito bem guardado quanto à sua disposição e longevidade. Afinal de contas, Jon Anderson tem 67 anos.

Quantos artistas com quase 70 anos de idade com a mesma disposição para alcançar agudos não falsetados em canções de tonalidade altíssima nós podemos citar?

Também não nos esqueçamos do fato de artistas de rock serem pessoas as quais não costumavam ter hábitos muito saudáveis durante as fases da contracultura, da liberação sexual, e do proeminente uso de "substâncias catalisadoras" da verve criativa. Seja lá como deve ter sido, ou, como ainda deve ser, a voz de Anderson continua a mesma: cheia, melodiosa, angelical.

Ao conversar com o público, não foi difícil de ouvir exclamações como: "Meu Deus, ele realmente não força para cantar" ou "Nossa, ele realmente não usa falsete"!

Muita gente especula sobre a disposição solo atual do artista. Alguns dizem ter havido uma briga feia entre Anderson e os demais integrantes, quando ele teve de se ausentar devido à problemas de saúde - em específico sua garganta. Devido ao prazo demasiadamente longo para sua recuperação, o restante do "Yes" resolveu colocar outro vocalista, mais jovem e com "poder de fogo" equiparável ao vocalista original. A tese é reforçada pelo argumento de que Anderson havia deixado o grupo no meio de uma turnê, o que supostamente teria alimentado algum rancor entre os integrantes, mesmo sendo uma espécie de emergência médica.

Discutível. Na verdade é um tema interessante a ser debatido pelos fãs mais ardorosos, com disposição para garimpar informações oficiais sobre o caso. Por isso, deixo para alguém mais esperto do que eu a tarefa.

É engraçado falar sobre idade. É bem provável que, se eu fosse mais jovem, todo o set list da apresentação, em sua ordem de execução estivesse resenhada em detalhes nesse post, bem como também incluiria algumas referências sobre os reais motivos de Anderson ter visitado o Brasil sem o "Yes".

Mas quando se chega a determinados algarismos a partir da data de nascimento, tudo o que importa é saber se a apresentação valeu a pena. O resto de pouco importa.

A noite, ou parte dela, prometia ser boa. E de fato algumas horas dela foram maravilhosas.

Pena todo o deleite não ter durado até a manhã seguinte.

Confira a galeria de imagens do show no site do Bolshoi Pub:


E.Moraz

sábado, 3 de dezembro de 2011

Soundesigning por Diego Stocco: "Bassoforte"

É invariável. Quando se fala em soundesigning a gente logo associa o termo a sintetizadores de todo tipo e qualidade, samplers, computadores e seus DAWs, interfaces MIDI, microfones dinâmicos, cardióides, "booms"... e uma infinidade de outras tralhas.

Nem sempre a gente se lembra do aspecto artesanal da produção de sons. Colocar bons microfones para captar uma baqueta de bateria massacrando um balão ou uma mesa de vidro e processar o sinal no sampler é uma coisa. Criar um instrumento a partir de velharias achadas por aí é outra completamente diferente. Objetivo? Arrancar excelentes sons de "tralhas" esquecidas, que ninguém quer mais.

Claro, isso não é coisa nova. Naná Vasconcelos faz isso o tempo todo. Na verdade ele até parou de contar quantos "troços" de percussão ele tem em seu depósito, depois de ter chegado a guardar mais de 100 quilos de objetos que produzem barulhos. Nas mãos do gênio, praticamente qualquer coisa em que se possa bater, vira música. E música boa.

Recentemente, um sound designer Italiano, chamado Diego Stocco, considerou a possibilidade de produzir um instrumento completo a partir de peças esquecidas em sua casa e em terrenos baldios por aí afora. O resultado foi mesmo surpreendente, mesmo para quem tem um know-how impecável na produção de sons e um currículo altamente respeitável. Seus trabalhos incluem processos de sound designing e sound scoring para trailers de filmes como "Terminator: Salvation", "2012", sonorização da games famosos como a série "Call of Duty" e participações em seriados como "Dexter" e outros.

Confira a criação de Stocco, batizada de "Bassoforte":


Também vale a pena dar uma boa olhada no site do artista:

http://diegostocco.com/

E.Moraz.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"1984" de Orwell é Agora: "Carrier IQ" e a Espionagem de Massa

Na verdade tem sido tem tempo. Não desde 1984 literalmente, mas de modo prático, eu diria sobre a coisa toda ter tomado uma dimensão verdadeiramente dramática quando apareceu o Windows ME, um dos primeiros "Big Brothers" de verdade, assemelhando-se com o onipresente personagem de Orwell em seu célebre romance "1984". Tudo por culpa de uma certa porta 5000...

A coisa toda avançou. Como se não bastasse o monitoramento a dados em computadores ligados à internet, os celulares atuais, que sempre foram alvos primários dos sistemas de vigilância, parecem ser agora os principais agentes state-of-the-art, funcionando como os verdadeiros "olhos grandes" do onipresente personagem de Orwell.

Julian Assange, o polêmico mentor da Wikileaks, disse, em uma entrevista coletiva e reproduzido no Gizmodo o seguinte:

"A verdade é que empresas de inteligência estão vendendo, exatamente agora, para países ao redor do mundo, sistemas de vigilância massivaa para iPhones, Blackberries e para o Gmail".
E completou: "Estamos ferrados".

As afirmações de Assange parecem ganhar um delineamento preocupante quando associadas às notícias sobre o "Carrier IQ", um software de vigilância presente nos dispositivos móveis e segundo a Bloomberg, uma agência reguladora alemã convocou a Apple para se justificar quanto à presença do software no desejado iOS, o sistema operacional dos iPhones, iPod Touchs e iPads.

O caso é mais sério com a HTC. Segundo o pesquisador Trevor Eckhart, o "Carrier IQ" veio incorporado ao seu aparelho, funcionando com o sistema Android. Ao que parece, a HTC tentou "calar a boca" do pesquisador. Em vão.

Eckart divulgou no YouTube um vídeo de 17 minutos onde o software registrou mensagens recebidas, teclas pressionadas e demais ações executadas no aparelho. Tudo isso, sem qualquer aviso ao portador do telefone.
Ao que parece, o "Carrier IQ" está presente em mais de 140 milhões de aparelhos, segundo artigo publicado na Linux.org.

Os usuários do Android contam com um aplicativo denominado "LoggingTestApp", criado por Eckart para verificação quanto à execução do "CarrierIQ" em seus aparelhos. A versão "Pro" do utilitário do pesquisador, permite a remoção do software.

Vale a pena conhecer os detalhes da estória no artigo publicado na BR-Linux.org.

Confira a seguir um dos vídeos divulgados por Eckart. Veja também o artigo em:


sábado, 19 de novembro de 2011

O polêmico projeto “Belo Monte”

Da Wikipédia: “Belo Monte é um projeto de construção de uma usina hidrelétrica previsto para ser implementado em um trecho de 100 quilômetros no Rio Xingu, no estado brasileiro do Pará. Sua potência instalada será de 11.233 MW, o que fará dela a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira, visto que a Usina Hidrelétrica de Itaipu está localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai”.

É isso aí. Apenas reforçando: Itaipu é parte comandada pelos brasileños e parte comandada por nossos vizinhos. É um lugar muito interessante e um passeio  muito legal o qual eu recomendo. Para quem não conhece, saca só: Me explicaram, entre vários números sobre as dimensões, capacidade de geração e etc, uns esquemas de separação dos operadores e demais profissionais na sala de controle e em outros locais. Isso é necessário para que os dois lados não se biquem, caso haja uma guerra entre as duas pot... err... países. Doido isso né? Se der algum boró daqueles bem feios entre nós brasileños e nossos vizinhos, a usina permanece, em tese, em operação. Mas, sem confusão! Pelo menos, foi o que disseram!

Pois é chefe. Como filho de “barrageiro” - meu pai odiava essa “alcunha” -  fiquei tentado a escrever sobre esse negócio aí. O desejo de expressão foi reforçado quando recebi uma mensagem de um desconhecido “mandando” assistir o vídeo de um movimento chamado “Gota D’Água”. Tá certo. Se mandaram, mandaram. Fui assistir. Assisti...

Vou tentar ser breve: meu tio também é barrageiro dos bons - e ele também odeia essa alcunha, sorry tio - e me falou que existem no papel quase duas dúzias de projetos semelhantes. É aquela velha estória de sempre, fácil de ser entendida: a população aumenta, a demanda por energia nunca diminui, constrói-se mais uma usina e assim por diante. Já viu onde isso vai parar né? O cenário apocalíptico descrito em filmes como Soylent Green estrelado por Charlton Heston e bestamente traduzido para o português brasileño como “No mundo de 2020”, é fichinha com o que podemos imaginar do futuro se certas coisas não forem feitas. Se elas serão ou não, deixo para alguém mais esperto do que eu comentar sobre...

Também segundo meu tio, o buraco é bem, bem, mas bem mais embaixo. Ele diz que se todos os projetos fossem, por mágica, realizados agora, nesse momento, o problema da demanda de energia ainda não estaria resolvido. Lógico, considerando as previsões futuras de crescimento demográfico e todo o blá blá blá inerente. É uma espécie de “moto perpétuo”.

Certo. A coisa toda então, nesse momento e aqui, especificamente, trata-se do tal movimento “Gota D’Água”.
Do Vimeo: “... Movimento Gota D’Água pretende envolver a sociedade brasileira na discussão do planejamento energético do Brasil através da obra da usina hidrelétrica de Belo Monte”.

Segue-se um link para uma petição, onde o vídeo também está incluído e seções específicas com descrições mais elaboradas sobre o movimento. Tudo isso está também colocado no meio e no final desse post, incluindo o vídeo.

Bom, eu disse que iria tentar ser breve. Como sempre, não consegui. Continuando minha tentativa de não me delongar demais no assunto - já que me disseram que texto em blog tem que ser curto e grosso - me limitarei a copiar o que já coloquei como comentário lá na canal do Vimeo, depois de assistir o vídeo. Uma ou outra coisinha deve ter sido mudada, mas a essência da pataquada toda permanece a mesma:

A questão energética é muito mais complicada do que a maioria das pessoas imagina. Quase todo mundo chega em casa por volta das 19 horas e liga as luzes de sua casa ou de seu apartamento, a TV, o som, às vezes ambos, liga o computador, vai tomar banho e realiza mais um sem número de ações sem nem sequer imaginar tudo o que está por trás de cada tecla, chave, interruptor e botão acionado. A conveniência faz a gente cair no esquecimento sobre a complexidade da coisa toda. Por isso, e por tantos outros motivos, a iniciativa é interessante, embora meu ceticismo apresente a tendência de não projetar a possibilidade dessa mobilização dar certo, como sempre.

Alternativas? Existem sim. E como existem. Porém as fontes “limpas” ainda são complicadas, por possuírem capacidade de geração extremamente limitada. Pode perguntar a qualquer especialista. Mas estamos falando sobre alternativas e isso, goste ou não, abre espaço para a alternativa atômica. Só que... convencer a opinião pública de que a energia nuclear seria uma alternativa realmente interessante, hoje em dia, é praticamente impossível. Usinas nucleares de última geração são completamente seguras, estáveis e relativamente baratas. Pergunte - novamente - a qualquer especialista. Mesmo que ele leve dias para te convencer, é bem provável dele conseguir.

Só que... seriam necessários anos e anos de catequese e demonstração ao povo e até mesmo aos vários vermes ignorantes do governo sobre os benefícios da coisa toda. Seria necessário também um detalhamento específico, muito bem elaborado, numa linguagem fácil de ser entendida para o público geral, conforme ocorreu em várias escolas tanto da rede pública e privada sobre a central nuclear de Angra, em 1978. Nessa época, meninos do primário saiam das escolas dizendo: “pai, quando eu crescer eu quero trabalhar em Angra!” É... os militares sabiam fazer a lição de casa... A coisa toda não estava muito errada não...

Como sabemos, nada disso vai ocorrer e não se trata, agora, de ceticismo puro e simples não, e sim de realidade. Afinal, uma hidrelétrica apresenta facilidades para superfaturamento e todo o tipo de maracutaia possível e imaginário quanto à licitações. Não é a mesma coisa com uma central nuclear. Nesse caso, se trata apenas uma pilha gigante, movida à urânio, com uma casa de transformadores ao lado. Fica mais difícil do governo e da própria iniciativa privada fazer rolos com superfaturamentos por haver, em termos, uma quantidade menor de mecanismos diretos e indiretos para o funcionamento de uma usina atômica. Acredite: uma usina nuclear é infinitamente muito mais simples de ser construída e instalada do que sua contra parte movida à água.

Hidrelétrica? É coisa demais. É área a ser desapropriada, é “estudo” que tem de ser feito, é desocupação, é especulação em cima de imóveis a serem construídos para serem habitados pelos coitados que vão perder suas casas, é indenização... é muita oportunidade para se meter a mão. Muita mesmo. São praticamente milhares e milhares de processos onde cada um deles apresenta possibilidades excessivamente atraentes para os larápios do governo enfiarem a mão numa grana preta.

Sabe como é: quanto mais fáceis as condições para a roubalheira, mais interessado o governo fica. E claro, muita coisa da iniciativa privada também, principalmente, aquelas que são bem ligadinhas às licitações do governo. Tremenda festa para os vermes, chefe.

A única coisa - em minha humilde opinião - a qual as pessoas devem tentar reforçar, é que, antes de de tentar falar em barrar uma obra dessa magnitude - e quero também deixar claro que sou contra a construção não apenas devido aos inerentes danos ambientais, mas também por ser uma mina de ouro para os ladrões oficiais, aqueles cujo o planejamento de suas ações de terror ocorrem lá no prédio com duas cuias na capital da nação - é que façam isso com a consciência de que sim, é possível deixar isso de lado e gerar energia de outro jeito.

Mas que haja o mínimo de pesquisa para se falar sobre alternativas viáveis - do ponto de vista financeiro e não moral - para que não se caia na comodidade do tipo “não, não façam isso, faz mal ao meio ambiente” e pronto. Só isso não resolve o problema. Em tese, a questão da preservação do meio ambiente seria naturalmente considerada, e em uma ótica utópica, sem a necessidade de qualquer debate sequer.

Agora, do ponto de vista moral... caramba, dá até desânimo... Mas vamos lá:

Jamais foi possível esperar algo realmente benéfico do governo, a não ser que o mesmo esteja sendo o maior beneficiado na empreitada. Quando é assim, qualquer outro benefício para a população ocorre apenas como efeito colateral. Talvez tais efeitos até sejam minimamente desejados pela parte de maior interesse - o próprio governo - quem sabe? Mas é pura bobagem achar que no futuro essa postura vá mudar. Não vai. Simples assim.

Se por mágica aparecesse uma alternativa com a possibilidade do mesmo superfaturamento e sacanagens afins, e que por ventura não lascasse de vez com o meio ambiente, aí sim, “Belo Monte” jamais seria uma central hidrelétrica. E, usando o clichê mais clichê desses tempos devido à circunstâncias óbvias, veríamos um “a natureza agradece”.

Se você ainda não viu o vídeo, recomendo assistir agora. Depois, continue por gentileza.


Movimento Gota D'agua_Belo Monte from Joao Padua on Vimeo.
link para assinar: www.movimentogotadagua.com.br


Assistiu? Beleza. Agora convenhamos: pedir diretamente ao atual presidente, ou presidenta - sei lá que diabos é aquilo - a anulação do projeto levando-se em consideração os valores morais do futuro para com a educação brasileira? É sério isso?

Caramba chefe. Não há conjunto moral nem para sequer se pensar numa coisa dessas antes de tantas outras mazelas a serem resolvidas e que, também não vão ser, diga-se de passagem!

Eu sinceramente não consigo achar expressões condizentes com a tamanha ironia e palhaçada no pedido final do vídeo, apesar da iniciativa ser ótima, como já disse. Isso me fez rir um bocado. Não é comédia não, mas tenho o humor fácil, pelo menos, de vez em quando.

Mas há um lado bom. Como sempre, há um lado bom. No final das contas, pelo menos, provavelmente pela primeira vez - levando-se em consideração as atuais facilidades possibilitadas pela internet - pode ser que haja uma discussão realmente séria em cima de um assunto realmente sério. Pelo menos isso.

Ah sim, claro, notou a presença dos tais globais no vídeo, certo? Isso também tem seu lado bom e ainda bem que eles foram utilizados. O motivo é simples: o povo acredita nas palavras dessas figuras. Se qualquer um deles resolver aparecer pintado de rosa ou com uma jaca enorme pendurada no pescoço no meio da rua amanhã, a quantidade de gente ostentando a mesma cor na pele e carregando a mesma nobre fruta pendurada no dia seguinte, será maior do que toda a população da Inglaterra.

Meus desejos de boa sorte aos que abraçam a causa. E, não é querendo desanimar não, mas, ainda segundo meu tio, esse é o primeiro de mais 20 projetos que estão no papel para a construção de usinas hidrelétricas no país. Lembra quando eu disse duas dúzias lá em cima? Pois é chefe... é por aí.

Como disse, muito boa sorte. Vão mesmo precisar.

Link original do vídeo no Vimeo:
http://vimeo.com/32112748

Movimento "Gota D'Água":
http://www.movimentogotadagua.com.br/ 

E.Moraz. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A "Verdade" Sobre os Navegadores - Parte II.

O blog "Byte Que Eu Gosto", fez uma brincadeira com os navegadores, associando cada um deles à um tipo de arma diferente, assim:


A postagem original, você confere em:
http://blog.bytequeeugosto.com.br/a-verdade-sobre-os-navegadores/ 

Resolvi fazer também uma brincadeira com os navegadores, mas associando-os com embarcações. Não faço questão nenhuma de que alguém concorde com os quatro primeiros itens. Mas cá entre nós, vai... o último bem que tem tudo a ver, não é não?

 E.Moraz


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Benetton e o lado politicamente correto/incorreto da publicidade

A Benetton é uma marca um pouquinho apagadinha em território nacional hoje em dia. Ainda me lembro de lojas exclusivas da franquia que não existem mais em cidades como Uberlândia, Goiânia e no Rio de Janeiro. Ela ainda está presente nas grandes cidades e não é impossível achar suas peças em grandes shoppings. Mas, non troppo.

No entanto a saúde da empresa parece ir bem e Giuliana Benetton, a diretora da marca, parece não ter muitas razões para qualquer preocupação. A revista Forbes avaliou seu patrimônio em cerca de 1,7 milhão de Euros em 2010 e o presidente da empresa, Luciano Benetton, declarou um faturamento de 1,765 bilhões de Euros, ainda em 2005. Naquele ano, também foram contabilizados quase 8 mil empregados diretamente vinculados com a empresa, espalhados pelo planeta.

Criada por Luciano em 1965, a Benetton também já teve presença na Fórmula 1, entre 1986 e 2001 e apesar de ter conquistado apenas o sétimo lugar em seu último ano de atuação, a escuderia foi responsável por impulsionar a carreira de grandes pilotos. Os verdadeiros fans da F1 conhecem a trajetória de Piquet, Schumacher, Herbert e a relação deles com a marca.

Só que para o público em geral, a Benetton é sinônimo de politicamente correto, ou incorreto, dependendo do ponto de vista e do teor de falso moralismo do consumidor ou do espectador. A publicidade da empresa sempre foi cercada de uma quantidade de adjetivos a saber:

- polêmica;
- agressiva;
- politicamente correta;
- politicamente INcorreta;
- apelativa;
- criativa; 
- de péssimo gosto;
- de bom gosto;
- violenta;
- ___________________ <preencha aqui com o seu adjetivo preferido>.


O fato, é que suas campanhas sempre alcançaram o objetivo: o de chamar à atenção e de polemizar ao máximo situações de conhecimento em âmbito mundial, estabelecendo uma relação totalmente abstrata - ou talvez até mesmo inexistente - com seus produtos.

A empresa nunca se preocupou em evidenciar em suas campanhas a qualidade de suas peças de vestuário. Apenas relaciona o "Cores Unidas de Benetton" a situações chocantes. Algumas são dotadas de elementos de estética ambígua, mas todas são claras e objetivas: O lance é provocar e polemizar.

A tarefa atualmente não é nada fácil. Afinal de contas, o que é de fato considerado chocante na era do tudo-pode-tô-nem-aí?

Em meados da década de 80, quando o mundo ainda estava completamente aterrorizado pela então desgraça da AIDS, a empresa lançou campanhas visuais usando pacientes portadores do vírus HIV em disposições artísticas e verossímeis a ponto de causar um "rebuliço" dos grandes, não só perante às comunidades de pessoas doentes, mas também de seus familiares e amigos. Protestos de autoridades da área de saúde foram lançados em vários cantos da Europa e várias peças publicitárias foram barradas - leia-se censuradas - nos Estados Unidos e, claro, aqui no Brasil.

Não devemos nos esquecer da época. O AZT e os coquetéis de medicamentos os quais proporcionam uma vida normal aos atuais portadores do HIV ainda não eram uma realidade. A Benetton havia começado com o tema logo quando o Brasil havia perdido Cazuza e a discussão sobre o assunto e o comportamento sexual das pessoas estava na pauta do dia em jornais, revistas, livros, na TV e pouco depois, nos filmes. A AIDS ainda não havia sido domesticada.

Julgamentos deixados de lado, o "buzz" de toda a campanha foi algo memorável em todo mundo e só não conseguiu maior força devido aos entraves burocráticos - leia-se novamente censura - em alguns países. Processos? Choveram. E ainda devem chover, com a mais absoluta certeza.

Mas e daí? O que adiantou? Bem, a Benetton conseguiu o que queria: tomar a atenção de muita gente para suas infindáveis coleções de calças, blusas e mais um sem número de produtos. Não havia muita importância se os muitos desavisados sobre moda demorassem um bom tempo até conseguir sacar se tratar de uma grife de roupas.

Confira alguns anúncios da Benetton de meados da década de 90 e a atual campanha da empresa denominada de "UnHate", uma variação da palavra "hate", "ódio" em inglês, que significa, em tradução livre algo como "desodeie".


Aids: Paciente portador do vírus HIV em estado terminal, 1992.

Aids: Paciente portador do vírus HIV, 1993.

Peça "Handcuffs" - "Algemas", 1989.

"Benetton Baby", 1990.

"Benetton Hearts", 1996.

Campanha "Food For Life", "Comida Para Vida". Uma das várias peças desenvolvidas para o "Programa Mundial de Alimentação" <World Food Programme> em 2003.

"Priest Kissing Nun", "Padre Beijando Freira", 1991.

A seguir, algumas peças publicitárias da atual campanha "UnHate":


Apesar da China ser o maior parque industrial dos Estados Unidos - e do mundo diga-se de passagem - é bem improvável um beijo na boca entre Barack Obama e o atual líder da República Popular da China, Hu Jintao. Mas com o Photoshop, tudo é possível. Ou quase.


O antecessor de Obama, "Bush Junior", foi chamado por Hugo Chávez de "Mr. Danger", em alusão ao perigo que o ex presidente dos EUA representava. Segundo o dita… quero dizer... presidente da Venezuela, Bush era um perigo não só para o seu próprio país, mas para todo o planeta. Embora a simpatia por Obama seja muito maior em comparação ao ex presidente estadunidense, a probabilidade do gesto da imagem acima é praticamente zero.

Nas palavras de gente "entendida no assunto", a Terra Santa foi, é, e para sempre será um lugar de batalhas sangrentas e desigualdades eternas. Por isso, e por muitos outros motivos, é bem capaz de jamais vermos um beijo do Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyaho na boca ou em qualquer outra parte do corpo do atual líder da comunidade Palestina, Mahmoud Abbas. Pena.
A religião Islâmica é conhecida por seu radicalismo, embora há quem diga que as coisas "não são bem assim" no Alcorão. Cristãos e Muçulmanos não se bicam, mas pelo fato de existir uma minoria Cristã no Egito, podemos acreditar na possibilidade de um beijinho entre sua eminência Papa Bento XVI e Ahmed Mohamed El-Tayeb, autoridade da mesquita Al-Azhar na capital Cairo. Ou não...
Essa não rola mesmo. Graças ao abençoado Adobe Photoshop, os respectivos líderes das duas Coréias, Sul Lee Myung-Bak e Kim Jong-il estão num "love" bem bacana. Tecnicamente, os dois países ainda estão em guerra, mas um armistício assinado em Julho de 1953 garante a tensa paz entre as duas nações. O documento, porém, não evita de quando em vez, agressões envolvendo armamento bélico pesado, tanto na fronteira terrestre, como nas águas territoriais das duas Coréias. Também não deixa de permitir a massiva presença militar norte-americana, estacionada em várias bases militares fincadas em território sul-coreano.
Tudo bem, a União Européia não é tão unida assim, ainda mais com toda a trapalhada fomentada pelo Berlusconi, que recentemente deixou o comando da Itália apenas oficialmente. Sim, claro, o homem é dono de praticamente 90% de todo o sistema de comunicação do país, incluindo rádios, TVs, jornais e tudo mais do que se possa imaginar. Para piorar a situação os Gregos devem mais do que eu à minha advogada, mas apesar de tudo, Angela Merkel, a chanceler germânica e Nicolas Sarkozy andaram falando coisas boas sobre as possibilidades de colocar a Europa - ou pelo menos a porção rica dela - nos trilhos novamente. Quem sabe o beijinho dos dois não se torna legítimo qualquer hora dessas? Duvido um bocado que a Carla Bruni, esposa de Sarkozy vai ficar com ciúmes. Já o cônjuge da Dona Merkel...

E.Moraz.


UPDATE: Quarta, 16 de Nov, 21:56, horário de Brasília:

Não demorou nada para a nova campanha da Benetton dar boró. E boró feio, diga-se de passagem.

Segundo a EXAME.COM:
 

"Roma - O grupo italiano Benetton anunciou nesta quarta-feira a decisão de retirar de circulação uma campanha publicitária mostrando o Papa beijando na boca um imã no Cairo, dizendo-se "desolado com o fato de a utilização da imagem ter chocado tanto a sensibilidade dos fiéis".

Link para a matéria:

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pianos Elétricos: Instrumentos de Alma Própria

Tá aí uma coisa muito doida em alguns teclados, sintetizadores, pianos elétricos e afins: vários destes instrumentos foram concebidos com o objetivo de simular o som de tantos outros, em especial, instrumentos acústicos. Muitos conseguiram um baita sucesso comercial justamente por não terem conseguido - de jeito nenhum - tal façanha.

Apenas como breve exemplo: quando os pianos “Rhodes”, “Wurlitzer” e “RMI” foram inventados, a ideia se constituía em chegar o mais perto possível do som de um piano "de verdade", com a vantagem de proporcionar ao músico maior mobilidade e facilitar sensivelmente a sua vida. Afinal, carregar para cima e para baixo um piano elétrico, é bem mais fácil - e muito mais leve - do que um piano acústico.

Não passaram nem perto. O som de um “Rhodes” não tem absolutamente nada a ver com um piano acústico. “Wurlitzer” e “RMI”? Arrisco a dizer terem ficado mais distantes ainda. Mais leves para carregar, um pouco menos sujeitos a problemas técnicos quanto à afinação, mas o som... não... ainda não tinha sido daquela vez...

Claro, há mais um sem número de marcas e modelos, os quais de fato suprimiram a presença do piano acústico, mas nunca de maneira completamente satisfatória. O Yamaha CP-80 teve a mesma intenção. Porém sua presença era muito mais procurada devido às suas características proprietárias do que por sua condição de "simulador de piano acústico". Arrisco dizer sobre o nobre instrumento nunca ter sido colocado no palco, ou levado ao estúdio com essa intenção.

Para quem não está minimamente acostumado com as peculiaridades sobre assuntos relacionados à estas preciosidades, fica a dúvida: “Ué... então não são bons instrumentos”?

Muito pelo contrário. Na verdade é um paradoxo, pelo simples fato de não terem  atingido seus objetivos. Explica-se:

Pianos elétricos nos períodos das gêneses de suas respectivas criações jamais substituíram a sonoridade dos pianos acústicos, como já foi dito. Os modelos atuais fazem isso de maneira muito convincente, se não considerarmos o parecer dos puristas absolutos. Logo,  os antigos pianos, ao invés de proporcionarem maior mobilidade à músicos, bandas e seus pobres roadies, acabaram causando um efeito contrário: além do piano acústico, tinham ainda de levar o piano elétrico para o palco e para os estúdios. Doido isso, não é não? Os roadies do Steely Dan e de mais uma pá de gente, conhecem muito bem o caso...

Então, o que os fazem tão apreciados?

Em termos simples, é possível afirmar sobre terem criado uma linha sonora tão característica, a ponto de serem completamente indispensáveis em diversos segmentos musicais diferentes. Jazz, Funk, Rock Progressivo, Pop... em todos eles, o piano elétrico foi e ainda é um componente riquíssimo, não apenas em solos e acompanhamentos, mas também na criação de verdadeiras texturas sonoras, principalmente quando efeitos tradicionais como o "phaser" e o "chorus" são devidamente acoplados e ajustados.

Ouça praticamente qulquer canção do "Supertramp" em sua fase áurea - álbums como "Crime of the Century" e "Breakfast in America" e você terá um encontro delicioso com o famoso piano "Wurlitzer". O "RMI Electra Piano" era o preferido de Tony Banks do Genesis e usado em profusão na célebre obra "The Lamb Lies Down on Broadway", um disco obrigatório para todos os fanáticos pelo Rock Progressivo. Ainda no mesmo estilo, porém com várias pegadas jazzísticas e altamente psicodélicas em vários trabalhos, o "Soft Machine", banda do lendário baterista Robert Wyatt, fazia uso do instrumento de forma tão virtuosa quanto nomes como Herbie Hancock, Lonnie Liston Smith, Patrice Rushen e tantos outros. Um belo registro ao vivo da banda, onde o "Rhodes" realmente impera, no meio de sintetizadores de quilate similar, está no álbum "Alive and Well", gravado em Paris, e lançado pela "Harvest", em 1978.

Várias séries de modelos destas maravilhas foram lançadas. Cada um dos respectivos modelos com suas peculiaridades e, infelizmente, seus probleminhas técnicos. A afinação e a manutenção destes monstros sagrados sempre foram tarefas para técnicos especializados, e os exemplares construídos na época de ouro dos equipamentos analógicos e eletromecânicos que ainda estão em funcionamento, necessitam de atenção especial constante, de gente que realmente conhece o assunto e sabe muito bem o que está fazendo. São obras de arte na verdade. Por isso, precisam ser tratadas com o máximo de técnica, carinho, respeito e amor. Em nosso país, há pouquíssima gente com tais habilidades...

Hoje em dia, não é muito difícil conferir os sons de tais pianos em teclados relativamente acessíveis. Basta apertar um botão e voilá: tem-se a reprodução dos sons clássicos dos consagrados pianos elétricos. Evidentemente, assim como o "Rhodes", o "Wurlitzer", o "RMI" e outros não conseguiram chegar perto dos pianos acústicos, é praticamente impossível obter a mesma execução e sentir as mesmas peculiaridades nos instrumentos contemporâneos. Justiça seja feita: a proximidade sonora é notória e muito bem-vinda, verdade. Porém os instrumentos de alma própria continuarão a perpetuar - na mão dos técnicos, restauradores e músicos - características que são deles e deles somente. Um quadro de Picasso pode ser reproduzido. Mas não é um quadro de Picasso. Simples assim.

Perambulando por páginas da web, caí no blog "Not Enough Rhodes" e em um post especialmente interessante: "15 great rhodes albums". Lá estão algumas peças finíssimas, no sabor "Jazzy", onde o famoso "Fender Rhodes", bota mesmo para quebrar.

Cavucando um pouco os links, é possível baixar a maioria das obras. Cavucando de verdade, é possível baixar todos os álbums.

http://neverenoughrhodes.blogspot.com/2008/09/15-great-rhodes-albums.html

E cá entre nós... vale a pena.

E.Moraz.

"Life in a Day" e a colaboração via internet

Palmas para as tecnologias de compressão de dados. Certo, claro, palmas para Scott, seu filho e o diretor Kevin Macdonald também. Mas já estão pra lá de famosos, então, consideremos os créditos a toda uma equipe de técnicos, engenheiros, programadores e outros profissionais completamente anônimos. Sem eles, a realização de “Life in a Day”, e tantas outras coisas as quais são corriqueiras nesses dias de olho pregado na tela durante quase 24 horas por dia, seria bem mais difícil.

Como eu vivo dizendo, a coisa toda fica bacana a partir de uma ideia simples. Nesse caso, trata-se da colaboração coletiva via internet. Não é algo inédito: Eu mesmo já me beneficiei disso quando mandei arquivos de áudio e vídeo para amigos em outros países e assim eles puderam editar, adicionar e subtrair partes. O resultado, é a possibilidade de gravação, por exemplo, de clipes de vídeo com alguém tocando a bateria na Suiça, um baixista na África, teclados de alguém nos Estados Unidos e assim por diante. Basta um pouquinho de tempo livre e alguma força de vontade e pronto: um projeto de colaboração internacional o qual demonstra a interação de diferentes pessoas, distantes umas das outras e unidas através da vontade comum de se fazer algo. Benefícios, dúvidas e críticas quanto ao tipo de processo... Dispare. Dispare à vontade.

A equipe Scott-Scott e MacDonald fez um convite ao público em geral: pediu para as pessoas enviarem imagens do dia 24 de Julho de 2010. Qualquer coisa. Você poderia mostrar o seu cachorro fazendo alguns truques, ou sua esposa acordando, ou ainda você mesmo ou alguém de sua família indo ao banheiro. Não importava. Eles queriam apenas imagens. Para diversificar um pouquinho a empreitada, foram lançadas algumas questões simples, para quem quisesse responder, como por exemplo: “Do que você tem medo”? “O que você ama”? Os internautas enviaram 4500 horas de vídeo. Foi então realizada uma seleção, edição, sonorização e montagem, para transformar o material em um filme de 90 minutos.

Algumas pessoas podem considerar a produção uma tremenda bobagem. E é. E justamente por isso é deveras interessante. Enquanto alguém na Índia diz que o que mais ama na vida é seu refrigerador, outra pessoa, distante milhares de quilômetros, sem roupa em frente à câmera diz: “Essa sou eu. É isso o que eu sou e é disso que eu tenho medo”. Ao mesmo tempo, na Europa, alguém diz: “Pensei que algo interessante iria acontecer no dia de hoje para eu mostrar a vocês. Mas não, nada aconteceu. Sou apenas uma garota normal, com uma vida normal”. Os olhos da moça parecem rasos d’água enquanto ela faz seu discurso e sua face denota um misto de tédio, tristeza e, ao mesmo tempo, um pouco de esperança nos próximos dias. O mais intrigante, é que cada uma dessas emoções parece ocorrer de uma hora para a outra, enquanto ela se lamenta de não ter acontecido nada “cool” para ser enviado ao projeto do filme.

Os fervorosos por manter a disposição “sou superior a tudo e a todos” também não estão de fora. Alguém dentro de uma Lamborghini faz questão de dizer que está dentro de uma Lamborghini e lances “espetaculóides” jamais poderiam ser desperdiçados, como o salto de pára-quedas de alguém que com a mais absoluta certeza o fez especialmente para o filme.

Não se trata - graças à Deus - de outro “Zeitgeist” ou de qualquer tratado sobre como as coisas estão ou como as coisas ficarão. “Life in a Day” é apenas um “Vlog” internacional gigante. Intrinsecamente promove e atiça a curiosidade, estabelece parâmetros não muito bem sistematizados de comparação dentro da cabeça e invariavelmente acende os catalisadores dos julgamentos automáticos, aqueles que nem sob tortura conseguiríamos colocar para fora de forma ordenada, não pela impossibilidade, mas por um pseudo-respeito cada vez mais necessário nos dias de hoje, sob algumas circunstâncias. No final das contas, é divertido, pois mostra um panorama intrigante do mundo, em apenas um dia. Sem dramas demais. Apenas o que realmente ocorre por aí.

No final do posting você pode conferir o trailer de "Life in a Day". O filme completo está disponível em seu canal oficial no YouTube através do endereço:


O botão “CC” na base do vídeo, permite a abertura de um menu com legendas, incluindo o idioma português brasileiro. Basta rolar o conteúdo do menu com o botão vermelho do lado direito para visualizar a opção.

“Life in a Day” não chega a ser imperdível. Mas merece uma boa olhada. Ainda mais, quando a gente se lamenta de não ter feito parte do projeto.

E.Moraz.






segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Quando DJs não são DJs ou...

…dizem que não são, sendo, ou ainda, que são “produtores”. A confusão fica mais séria quando alguém é conhecido no mundo todo sobre a alcunha das duas letras, mas mesmo assim refuta o título e ainda declara, para a imprensa internacional:

“Eu Odeio DJs!!!” – Ah sim, claro. Isso deu um boró lascado. Mas... passou...

Não. Não vai dar para entrar no mérito da questão. Afinal de contas, qualquer um hoje em dia com duas pick-ups “Tecnhics” e um mixer se diz “DJ”. Uma baita injustiça com os profissionais de verdade, diga-se passagem.

Só por causa disso a polêmica já estaria instaurada, com vertentes muito além do objetivo da mensagem do post.

Com a figura do “produtor” era um tanto quanto mais complicado. O camarada tinha de ter um estúdio de milhões de dólares, cheio de equipamentos os quais dariam inveja ao capitão Kirk e seu colega Jean Luc Pickard, ambos, motoristas da espaçonave Enterprise. Uma espécie de “neverland” à la Michael Jackson para nerds e hipsters. Mas, surpreendentemente, e dessa vez falo dos produtores de verdade, um bom computador um excelente microfone, e mais alguns poucos brinquedinhos fazem praticamente tudo o que se pode imaginar. Brian Eno e os cada vez mais chatos integrantes do U2 que o digam.

Joel Thomas Zimmerman, mais conhecido como “Deadmau5” ou “Deadmouse” ou ainda “rato morto” para simplificar é um... um... eh... bem... é um DJ que não gosta de ser chamado de DJ, diz odiar DJs e... peraí, desculpa. Vou começar novamente:

Joel Thomas Zimmerman é um produtor canadense, mais conhecido como “deadmouse” e apesar de odiar DJs, se juntou a outro... eh... bem... “colega?”, conhecido como “Kaskade” e recrutou Haley Gibby, uma loira bonita e dona de uma voz macia e extremamente sensual.

Em tempo: Pena ela ser constantemente prejudicada em suas performances ao vivo por falta de retorno decente no palco. Mas profissional de verdade, quando precisa, se vira de qualquer jeito. Gibby não é exceção.

O resultado foi uma canção de house progressiva, conhecida nos nightclubs decentes do mundo como “I remember”, lançada em 2008 pela Virgin Records na Europa e pela Ultra Records nos Estados Unidos.

Tudo bem. O famoso tuntxi-tuntxi-tuntxi é na maioria das vezes um pé no saco quando os playboys, campeões de torneios de som automotivo te obrigam a ouvir o que eles querem, mesmo quando você está no meio da rua ou trabalhando em seu escritório – o que faz o ódio pela música eletrônica crescer não só em correspondência aos autores do nada incomum episódio, mas ao segmento musical inteiro.

Mas justiça seja feita: DJs e produtores, ou seja lá como queiram ser chamados, costumam ter tendência de elaborar peças memoráveis quando colocam um toque de romance mesclado com um tiquinho de poesia no meio do bate-estacas eletrônico.

Uma pitada de classe de vez em quando não vai trazer qualquer problema às suas respectivas reputações de entertainers. O “rato morto”, seu parceiro de projeto “Kaskade”, David Guetta e outros nomes sabem disso muito bem.

No caso de “I remember”, a recomendação em um dos comentários do vídeo no YouTube é para que se veja o vídeo sob efeito de ácido. Que coisa feia...

Mas nem precisa. De jeito nenhum.
E.Moraz.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Black Keys - Novo Single: Lonely Boy

Eles são simples. Um baterista e um guitarrista. De vez em quando - muito de vez em quando - se ouve algumas notas de um órgão. Ao vivo, alguns convidados. Mas no estúdio é só isso mesmo: dois caras, uma bateria, uma guitarra e bastante simplicidade.

A fórmula é bem conhecida, totalmente espontânea e, colocando as coisas assim, parece não haver muito motivo para dar alguma moral para a dupla.

Mas, há alguns pontos a serem considerados com um pouco mais de atenção:

Os caras com jeitão de nerd de Akron, Ohio, Estados Unidos, não apareceram de uma hora para a outra. Gravam desde 2001 e muito antes disso já eram respeitados na cena underground local. Imagina o quanto deve ser difícil agradar a meio mundo de gente devidamente treinada para dizer que tudo o que vê e ouve é uma droga... né fácil não viu...

O legal mesmo é que, de lá pra cá, conservaram a simplicidade nas canções. Não é muito conveniente chamar o som dos caras de "blues tradicional" ou "rock clássico". Ninguém tá afim de aguentar os chatos puristas de plantão falando abóboras em nossos ouvidos.

Eis o que importa: os caras ainda fazem boa música, ainda que toda essa simplicidade já não seja aplicada aos negócios: "Black Keys" anda vendendo como nunca, e ainda por cima, uma das canções de maior sucesso, "Your Touch" vai constar no "set" da trilha sonora de um filme estrelado pelo veterano Liam Neeson. Devem estar tirando uma grana boa. Merecidamente, diga-se de passagem.

Se tudo correr bem, "Battleship" vai ser lançado em 2012 e vai contar a estória de uma frota de navios que encontra um "troço" no meio do mar. O tal "troço" é de outro planeta e aí a bagunça tá feita.

Soa familiar não é? Mais do mesmo e só. Isso sim é coisa para não dar muita moral. Pouca gente ainda aguenta estória de alienígena vindo para a terra acabar com tudo. Como se precisassem...

O novo single dos caras se chama "Lonely Boy" e faz parte do novo álbum "El Camino" previsto para o início de dezembro.

A dica é essa: se você gosta de um uísquinho de vez em quando - a palavra pode até ser abrasileirada, mas a recomendação é de que o líquido seja gringo, para evitar a ressaca - "Black Keys" é simplesmente uma excelente trilha sonora de fundo. Pra falar a verdade, o tempo vai passando enquanto você ouve e a massa sonora acaba é se tornando um convite para ficar é completamente bêbado, isso sim.

Portanto, aprecie com moderação e deixe sei veículo na garagem!

Tudo bem... nada dispensa as montanhas de sintetizadores e solos virtuosíssimos daquilo tudo que eu e você escutamos no meio das bebedeiras "solo" ou com amigos, mas dê uma chance aos caras com jeitão de nerds lá de Akron.
 
Com umas boas doses de um bourbon ou de um scotch mais ou menos decente, a diversão é mais do que garantida.


E.Moraz.



A Poesia Vive. De certo Modo. Mas Vive!!!

A instituição:
Bradesco.

Os personagens:
Mauro Junior - Internauta.
Tábata Cury - Equipe de Mídias Sociais do Bradesco.

O caso: 
Mauro Júnior é correntista do Bradesco e parece ter perdido o seu cartão magnético. Achou uma forma criativa de relatar o ocorrido ao banco e requisitar outro cartão: postou um poema no Facebook do Bradesco:

“Banco Bradesco querido
Quisto por mim e os meus
Tens sua morada paulista
Bem na Cidade de Deus

Vejam que bela homenagem
O próprio Deus concebeu
Para a sua cidade
O vosso Banco escolheu

Eu até que me poria
Em alta colina à bradar
Peito banhado em verdade
Bradesco em primeiro lugar

Mas venho por outro motivo
O que findou meu sorrir
Para por fim ao martírio
Um favor vou lhes pedir

Plena falta de cuidado
Digna de um jabuti
Fazendo compras no mercado
O meu cartão eu perdi

Antes que eu passe fome
Faço a solicitação
Ao meu Banco preferido
PRECISO DE OUTRO CARTÃO!” 

Valendo-se do ímpeto criativo semelhante, eis a resposta à solicitação de Mauro:

“Mauro querido cliente

Pra você ter outro cartão

à sua agência deve ir pessoalmente



Mas não será por motivos fúteis

Você irá cadastrar uma nova senha

E seu cartão chegará em até 7 dias úteis



Agradecemos sua compreensão

E sempre que precisar

Pode contar com a nossa colaboração


:-)” 

Justiça seja feita, foi uma forma “fofa” de requisitar um novo cartão ao banco, e claro, condizente com uma excelente forma de adquirir popularidade, afinal, segundo "O Globo", até a noite da última terça-feira, 1700 pessoas haviam “curtido” o poema do internauta. A nobre responsável pelas mídias sociais do Bradesco ainda não atingiu a mesma popularidade, mas sem dúvida está se saindo muito bem: foram 1200 cliques até então.

Levando-se em consideração o esquema visualizei-curti-copiei-colei-adotei, é bem capaz que a moda pegue. Só quero ver se o nobre Bradesco vai ter condições de atender a todas as requisições com um préstimo tão “carinhoso”.

Claro que a maldade já começou, como sempre. Tem muita gente dizendo sobre tudo ser armação do banco para projeção de sua marca nas redes sociais e afins.

Pessoalmente prefiro acreditar na parte lúdica da coisa, aquela responsável por fazer alguém clicar no botão da curtição lá no tal do Facebook.
Um pouco de criatividade é sempre bom, seja lá como for. E nem precisa ser um "tratado erudito".

Foi massa Mauro e Tábata. Aqui não tem o tal botão, mas eu curti também.
 
:)


E.Moraz.

Link para a matéria do "O Globo":

http://oglobo.globo.com/blogs/nasredes/posts/2011/10/25/cliente-sem-cartao-bradesco-trocam-poemas-no-facebook-413240.asp