segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pelo Direito de Ser Apolítico

A etimologia desse vocábulo é bem curiosa - para não dizer engraçada. Aqui está, de acordo com o "Wiktionary":

"a(n)- + político
cf. grego apolitikós,ê,ón (inadequado para os negócios públicos)".

É isso aí. Fui olhar. Não me lembrava com exatidão se a palavra realmente existia.

Então eu sou um "inadequado para os negócios públicos". Nem fico grilado com isso não, sabe? Afinal de contas, nem negócio eu tenho, como então eu poderia ser inadequado? 

O fato mesmo, é que odeio política.

Pronto. Falei. A patrulha dos bons costumes e todos os seres considerados só Deus sabe por quem e autoproclamados "cools" do país podem, de uma hora para a outra, ficar com vontade de ver minha carcaça derreter em uma tina de ácido sulfúrico. A minha sorte, é que ninguém lê meu blog e acho meio difícil de uma hora para outra eu me tornar popular. Andy Warhol não estava errado sobre os tais 15 minutos de fama. Mas, a ousadia para tornar suas palavras sacramentadas em referência a este que vos digita, teria de ser bem maior do que a simples disposição de colocar algumas abobrinhas em um blog. De qualquer forma: Ufa!!!

Mas é isso mesmo. Odeio política e não adianta ninguém vir falar sobre essa ser uma condição normal, de pleno direito do sujeito, totalmente passível de respeito e blá blá blás afins. Toda essa ladainha é a mais típica do modelo "não concordo com você, mas te respeito".

Sempre fiquei de orelha em pé feito o basset da vizinha quando a nobre criatura é chamada pelo nome ao ouvir o tal "não concordo, mas te respeito". Será mesmo? Não boto fé não, chefe... Na boa. O simples motivo da necessidade de um dos interlocutores em um "diálogo"; (ou peleja, se for o caso) se prestar a fazer de tudo e mais um pouco para te convencer a seguir uma opinião contrária à sua já me deixa desconfiado daquilo tido como "respeito".

Todos nós sabemos como se processa. É uma profusão rápida e rasteira de uma demonstração de empenho ímpar. Uma espécie de tour-de-force onde estão incluídas "evidências" registradas em revistas, argumentos citados em livros, artigos publicados em sites, ensaios e frases feitas em blogs... é justificativa que não acaba mais. Invariavelmente aparece a famosa citação cujo o autor é um daqueles indivíduos constantes em sua secreta lista de sujeitos chatíssimos, porém, referenciado como um Deus por seu professor ou professora de sociologia, antropologia, ou outro "gia" qualquer. Se bem que, para falar a verdade, a referência não precisa ter tanta "qualidade" assim. Mas tem de ter uma referência. Ah isso tem. Ô...

Tá. Questiona-se: mas não é assim que acontecem as conversas inteligentes? Inteligente uma ova, chefe. Quando a coisa chega a um patamar desses, onde o camarada só falta arrancar as tripas para provar a posição dele e fincar a bandeira de seu inerente e inevitável senso de superioridade no centro do seu tórax, a única prova de inteligência é na atitude de se calar e pronto. Não é muito fácil não, eu sei. Mas ainda chego lá...

É isso aí. Antigamente calava-se por hábito, por causa do DOI-CODI, do AI-5 e de meio mundo de coisa que não faz o menor sentido para quem não tem pelo menos "X" anos de idade; (não que ter determinada idade represente alguma vantagem). Hoje em dia, cala-se para, entre outros benefícios, não gastar a voz; (ela vai ficando terrível com a idade, acredite). Além disso, de acordo com a sabedoria popular, "quem cala consente". Quer coisa melhor do que fazer o outro pensar que você tá consentindo algo? Deixa o outro pensar, vai... tem problema não... Lá na frente, na hora de colocar as coisas em prática, as chances de tudo dar certo ou não, pouco vão depender de quem quis impor sua opinião. O motivo é simples: ao ouvir o "não concordo contigo, mas respeito", já se sabe que a batalha foi perdida. Chances de acordo: zero. Paciência. É hora de nova tática ou então de uma retirada estratégica. Por isso, o "desarrolho final" já se encontra dependente de outra dinâmica. Mas uma coisa é certa, chefe... não vai nessa que nego tá te respeitando não... na boa...

A coisa do "não concordo contigo, mas te respeito", é atualmente mais comum em dois assuntos específicos, os quais foram os responsáveis pelas maiores desgraças já ocorridas nesse planeta desde que a criatura conhecida como "homem" pisou em sua superfície: política e religião; (não necessariamente nessa ordem). É difícil afirmar qual dos dois é mais complicado. Talvez seja a religião devido ao seu fator de letalidade. Enquanto os mais "cools" do país provavelmente iriam adorar ver minha carcaça derretendo em uma tina de ácido sulfúrico ao saberem que não gosto de política, é bem capaz que, ao proferir certas linhas sobre religião, o restante dos outros mais "cools" do mundo iriam projetar uma forma de tortura tão terrível a ponto dela ainda sequer existir. Seria um troço certamente mil vezes pior do que a sala 101 do livro "1984" de Orwell. Mais uma vez, pelo fato de ninguém ler meu blog: Ufa!!! Se bem não coloquei nada sobre religião em lugar algum. Ainda.

O motivo da minha bronca com a política não é de hoje, mas o assunto me veio à telha quando percebi a inerente polarização dos blocos políticos dispostos entre as maiorias, e de forma automática. Explica-se: ao realizar um determinado comentário sobre uma matéria na Folha.com, uma reportagem sobre mais uma das trapalhadas de nosso governo, um distinto internauta me respondeu, certo de que estava delatando minha preferência partidária. O formato da informação me soou um tanto quanto peculiar:

"Chora viúva do FHC... chora!"

Confesso que fiquei sem entender. O sujeito tava dizendo que eu era uma "viúva" do FHC...

Pirei chefe... pirei de verdade. Logo eu que nunca tive qualquer simpatia pelo ex presidente do país ou por qualquer outro exercendo tal nobre ofício; logo eu que nunca, jamais cheguei a sequer acreditar na possibilidade do quase Semideus Tancredo Neves fazer algo decente pela nação, logo eu que nunca me afiliei, não sou afiliado e jamais me afiliarei a partido algum, logo eu que deveria era ter lido a reportagem e não ter comentado absolutamente nada... Sinceramente, "viúva do FHC" foi de lascar.

É diferente de você ser chamado de F.D.P. ou similar no trânsito ou em qualquer outra circunstância. Afinal de contas você tá cansado de saber: a senhora sua mãe não é e nunca foi uma profissional do sexo então isso não te ofende, mesmo que você seja juiz de futebol. Mas, "viúva do FHC"? Tenhamos santa paciência... que meleca...

Não retruquei. Pelo contrário, ao invés de ir falar qualquer coisa do mesmo nível ou pior para o tal sujeito, fui gerar algumas reflexões sobre o assunto e é isso aí: ou você é de esquerda, ou de direita e não importa se a direita um dia foi de esquerda e a esquerda foi de direita, como tampouco há qualquer consideração sobre nenhuma das duas ter sido realmente o que ostentam. Em palavras simples: apesar de ambas já terem sido coluna do meio, do tipo "em cima do muro" feito os conteúdos sobre política da revista "Veja" e tantas outras, está implícito que você tem que ser uma coisa ou outra. Fim de papo. A pena se não for é a tina de ácido, ainda que imaginária e, às vezes, dependendo de seu "grau de importância à sociedade", mais plausível do que a dura realidade de quem vive com salário mínimo ou, não raro, sem salário algum.

Motivos. Sim, as razões. Adianta nada falar sobre odiar algo sem justificativa não é mesmo? Elas não valem só para o sujeito com vontade de fazer você engolir a ideologia dele não. Assim como é necessário ser de esquerda, direita ou ter uma opinião definida - desde que a tal definição agrade a um ser específico ou à maioria - é de bom tom justificar tudo em moldes semelhantes, ou seja, a referência não precisa nem ser muito boa, como comentado lá em cima. Mas ela tem de existir.

Chefe, na boa... política? Fala sério. Tudo bem, vamos tentar sistematizar do início. Qual é a função do governo? Não é te providenciar isso e aquilo em troca dos tributos pagos em um acordo entre cavalheiros dentro de um sistema imposto em cima de você desde quando você nasceu? Ninguém te perguntou como deveria ser, simplesmente você apareceu no meio da bazófia e teve de ser assim, certo?

Em tempo: né papo de comunismo não, tá? Adoro Cuba - apesar de ainda não ter ido lá, mas as fotos me convenceram - mas não sou do tipo que se satisfaz com rações de alimentação e um teto para morar. Sou pobre, mas tenho aspirações a ser um "pobre+", ou um "pobre plus". Meu computador tem não sei quantos GB de RAM, não uso nem 30%, mas quando for possível dobrar sua capacidade, assim farei, mesmo sem necessidade. Sou um consumista nojento. Alguma coisa assim meio feito o comprador de SUV, ostentador de seu troféu para atingir certo nível de status, ou o portador de um iPad a quem não precisa de jeito nenhum do aparato, mas é bonito mostrá-lo nos aeroportos, mesmo se não estiver rolando conexão. E olha, falar de Cuba é até meio suspeito. Cá entre nós, meu tio tá lá e tá ganhando um dinheiro da porra, chefe. Cifras as quais ele nunca conseguiu ganhar aqui. Mas isso é outra estória...(Em tempo: não tenho SUV nem iPad. Ainda nem cheguei perto da condição "plus").

Voltemos: onde eu estava mesmo? Ah sim, o governo. Pois é, qual é a função dele? Te falo. A função dele é te arrombar. Só isso. É o poder por poder, mesmo se seus membros já tiverem tudo. Alguma coisa assim meio feito Rockfeller. Não tem mais onde enfiar grana, mas a cada ano acha um jeito de conseguir mais poder. Na cabeça daquele indivíduo, a ideia de poder é algo infinito. Mas, mesmo assim, ele deseja - e provavelmente vai - chegar a tal patamar. Ninguém disse que infinito é sinônimo de impossível. Afinal de contas, se o cara pode estar no meio de conspirações suficientes para tirar a vida de milhares de pessoas e fazer o mundo inteiro acreditar em "ações terroristas", imagina o resto. O cara é quente, chefe... muito mais do que as ratazanas gordas e enrustidas; (sim, no sentido de sexualidade mesmo), lá do prédio com as cuias no D.F.

Então vêm aquele negócio do governo ser responsável por te dar segurança, emprego, educação, saúde, condições mínimas de sustento e sei lá mais o que. Isso é feito através dos tributos pagos pelos cidadãos e todos os usuários de seus mecanismos de infra-estrutura, como comentado. Bom... as palavras de motivo de riso já excederam a tampa, fala aí, vai. Isso tudo realmente é muito bacana, na teoria. Mas na prática, para quem não sabe como é; (alguém não sabe como é?), aqui vai uma pequenina mostra do que realmente rola:

- O governo tá se ferrando para a saúde. Basta alguém checar as estatísticas ou então ir tentar fazer um curativo qualquer na rede pública. Não, isso não é privilégio de cidade grande. Em metrópoles o caos é completo e absoluto. Em cidade pequena, simplesmente não há médico ou então não há estrutura. Às vezes não há nem um nem outro, e quando o pouco que existe ainda funciona, o governo vem e simplesmente aniquila o já parco, mas ainda necessário e louvado mecanismo. Quer prova? Exemplo? Simples. Vá até o interior de Goiás, chefe, mais especificamente numa cidade chamada Itumbiara. Tente perguntar para o prefeito da cidade - figurinha difícil de se ser encontrada, diga-se de passagem - e pergunte o motivo dele investir não sei quantos milhões em iluminação pública importada da Holanda na avenida mais "bonita" da cidade e após receber sua resposta, indague-o sobre as condições de saúde do município. Coloque a resposta aqui para a gente ver depois, por favor e por gentileza. Não dá nada não, pode crer. Apesar de verdades serem coisas não muito bem toleradas, como eu disse, ninguém lê o blog.

- O governo tá se ferrando para a segurança. Veja bem essa palavra: segurança. Ela denota todo aquele costumaz mecanismo envolvendo desde os agentes responsáveis por manter a paz e a ordem, passando por intrincados sistemas de monitoramento dos transportes em nossas rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, até chegar em especialistas prontos para agir contra indivíduos altamente organizados empenhados em executar delitos complexos e não facilmente detectáveis, e finalmente também incluem também nobres profissionais muitíssimo bem remunerados, símbolos máximos de códigos indeléveis sobre o que realmente é certo e o que é errado. Só tem um problema, chefe: Nada disso funciona. No Rio de Janeiro, a polícia militar fuzila uma juíza de direito, mata crianças, faz parte de verdadeiras máfias e milícias envolvendo vários setores do transporte público do município e ainda comete um caminhão de delitos os quais eu sinceramente não tenho a menor condição de relacionar nem aqui nem em qualquer outro lugar. As demais polícias estão divididas em duas outras atividades: a primeira, em fingir que trabalha. A outra, em ir atrás apenas de sujeitos a quem serão liberados em até 24 horas depois de serem encarcerados. Agora, use o bom senso para definir as referidas funções para as respectivas corporações. Não foi difícil, fala aí, vai.
Em tudo quanto é lugar, você acaba sendo o único e total responsável por sua própria segurança. Mas não se engane. Se um larápio entrar em sua casa na calada da noite para atacar sua esposa, seus filhos e/ou seu patrimônio e você meter bala para crivá-lo de chumbo, quem vai ter de se explicar para o resto da vida perante à nobre justiça, vai ser você. Como sabemos, isso é assim desde o Oiapoque até o Chuí.

- O governo tá se ferrando para a educação. Se com tanta escola pública, com tanta escola particular, com tanta universidade pública, com tanta universidade particular, com tanto curso à distância, com tanto MBA para todo lado, com tanto professor particular, e com tanta graduação em apenas 2 anos, com a tal da inclusão digital, com tudo isso o povo ainda engole todas as safadezas cometidas pelo governo, imagina então se a coisa piora? O governo tá é desesperado, pois é uma de suas missões - prioritárias, diga-se de passagem - piorar o que já não presta! Claro, com tanta coisa relacionada era para estar tudo bem, certo? Não, não é bem assim, simplesmente devido ao princípio de que quantidade nunca foi qualidade nesse assunto. Alguém se graduou na faculdade Xinguelingue e agora está apto a ter um emprego ganhando um pouco mais de de um salário mínimo: justiça seja feita, a figura realmente merece uma menção honrosa, mas, pronto, está bom demais. Senso crítico? Pra que... isso não enche a barriga de ninguém não. Só traz confusão, não mostra resultado prático em absolutamente nada. Continuemos engolindo qualquer coisa inventada pelo governo. É isso o que eles querem. E quem engole parece não se incomodar. Do que mais precisamos?

De mais nada. Apenas, em determinados casos específicos, de dizer sobre o direito de ser apolítico. E, numa boa, se você também não gosta da tal da política, então diga a mesma coisa, sem vergonha alguma. Se for para ficar calado, fique, mas só depois de dizer que não gosta. Nunca antes. Já chega de termos a obrigação de uma conscientização totalmente inútil e incipiente sobre aquilo de que pouco vale para quem tem realmente a necessidade de dar o sangue para viver, pois de pouco adianta. A consciência política ajudaria um bocado se por acaso houvesse de fato um mecanismo no qual pudesse valer à pena às experimentações de propostas realmente sólidas e condizentes com as realidades do país. Nós já somos ridiculamente obrigados a votar. Nós já somos ridiculamente obrigados a "exercer a democracia". Então pronto. Podemos ao menos ir às urnas, apertar o botão branco repetidas vezes, acabar logo com a palhaçada e voltar para casa para aproveitar o resto do feriado. E só.

Todo o discurso político, não importa de quem, não passa infelizmente de balela, pois quando se está lá dentro, ou se entra no esquema, ou então a cabeça do indivíduo é cortada, não importando quais são as intenções; (e tem gente que acredita em "faxina", meu Deus). Lobby é investimento, e o prédio com as tais cuias é como um cassino. Alguns jogam suas fichas em alguns números da roleta. Cada um deles representa uma cadeira de responsabilidade dentro do cassino. É importante verificar com exatidão onde a bolinha vai parar. Demais jogadores sentam-se em mesas de pôquer e travam verdadeiras batalhas telepáticas para o desbravamento das cognições do adversário, esperando assim um compartilhamento inconsciente de suas artimanhas, das articulações de suas falcatruas, da leitura de alguma das peças do quebra-cabeças gigantesco da composição de interminável catálogo de atos corruptos. É importante tentar perceber algo, para seguir os mesmos passos. Uma associação, talvez, desde que sejam "respeitados" os respectivos montes de dinheiro usados para calar a boca de quem deve ser calado e para prevenir a entrada de câmeras escondidas dos pasquins eletrônicos, aqueles que deduram todo mundo e mesmo assim nada acontece.

Não se engane. A tal consciência política na era Collor colocou um presidente para fora. Pergunta: e daí? Adiantou alguma coisa? Ou o caso PC Farias foi mais deprimente e mais corrupto do que o banditismo do PT do mensalão e de acontecimentos subsequentes?

E assim, o seu dinheiro e o meu também, é devidamente utilizado pelos jogadores lá do cassino. Assim eles podem continuar a criar e manter seus elementos de ostentação, tudo devidamente repartido nas mesas dos jogos de azar. Se bem que, como já andaram falando, nem é preciso investir muito lá no cassino do clube privé, cravado nas entranhas do prédio das duas cuias. As regras da casa dizem o seguinte: "quem entrou, não vai sair sem seu quinhão".

E que quinhão chefe...

...e que quinhão...

E.Moraz.

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