sábado, 19 de novembro de 2011

O polêmico projeto “Belo Monte”

Da Wikipédia: “Belo Monte é um projeto de construção de uma usina hidrelétrica previsto para ser implementado em um trecho de 100 quilômetros no Rio Xingu, no estado brasileiro do Pará. Sua potência instalada será de 11.233 MW, o que fará dela a maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira, visto que a Usina Hidrelétrica de Itaipu está localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai”.

É isso aí. Apenas reforçando: Itaipu é parte comandada pelos brasileños e parte comandada por nossos vizinhos. É um lugar muito interessante e um passeio  muito legal o qual eu recomendo. Para quem não conhece, saca só: Me explicaram, entre vários números sobre as dimensões, capacidade de geração e etc, uns esquemas de separação dos operadores e demais profissionais na sala de controle e em outros locais. Isso é necessário para que os dois lados não se biquem, caso haja uma guerra entre as duas pot... err... países. Doido isso né? Se der algum boró daqueles bem feios entre nós brasileños e nossos vizinhos, a usina permanece, em tese, em operação. Mas, sem confusão! Pelo menos, foi o que disseram!

Pois é chefe. Como filho de “barrageiro” - meu pai odiava essa “alcunha” -  fiquei tentado a escrever sobre esse negócio aí. O desejo de expressão foi reforçado quando recebi uma mensagem de um desconhecido “mandando” assistir o vídeo de um movimento chamado “Gota D’Água”. Tá certo. Se mandaram, mandaram. Fui assistir. Assisti...

Vou tentar ser breve: meu tio também é barrageiro dos bons - e ele também odeia essa alcunha, sorry tio - e me falou que existem no papel quase duas dúzias de projetos semelhantes. É aquela velha estória de sempre, fácil de ser entendida: a população aumenta, a demanda por energia nunca diminui, constrói-se mais uma usina e assim por diante. Já viu onde isso vai parar né? O cenário apocalíptico descrito em filmes como Soylent Green estrelado por Charlton Heston e bestamente traduzido para o português brasileño como “No mundo de 2020”, é fichinha com o que podemos imaginar do futuro se certas coisas não forem feitas. Se elas serão ou não, deixo para alguém mais esperto do que eu comentar sobre...

Também segundo meu tio, o buraco é bem, bem, mas bem mais embaixo. Ele diz que se todos os projetos fossem, por mágica, realizados agora, nesse momento, o problema da demanda de energia ainda não estaria resolvido. Lógico, considerando as previsões futuras de crescimento demográfico e todo o blá blá blá inerente. É uma espécie de “moto perpétuo”.

Certo. A coisa toda então, nesse momento e aqui, especificamente, trata-se do tal movimento “Gota D’Água”.
Do Vimeo: “... Movimento Gota D’Água pretende envolver a sociedade brasileira na discussão do planejamento energético do Brasil através da obra da usina hidrelétrica de Belo Monte”.

Segue-se um link para uma petição, onde o vídeo também está incluído e seções específicas com descrições mais elaboradas sobre o movimento. Tudo isso está também colocado no meio e no final desse post, incluindo o vídeo.

Bom, eu disse que iria tentar ser breve. Como sempre, não consegui. Continuando minha tentativa de não me delongar demais no assunto - já que me disseram que texto em blog tem que ser curto e grosso - me limitarei a copiar o que já coloquei como comentário lá na canal do Vimeo, depois de assistir o vídeo. Uma ou outra coisinha deve ter sido mudada, mas a essência da pataquada toda permanece a mesma:

A questão energética é muito mais complicada do que a maioria das pessoas imagina. Quase todo mundo chega em casa por volta das 19 horas e liga as luzes de sua casa ou de seu apartamento, a TV, o som, às vezes ambos, liga o computador, vai tomar banho e realiza mais um sem número de ações sem nem sequer imaginar tudo o que está por trás de cada tecla, chave, interruptor e botão acionado. A conveniência faz a gente cair no esquecimento sobre a complexidade da coisa toda. Por isso, e por tantos outros motivos, a iniciativa é interessante, embora meu ceticismo apresente a tendência de não projetar a possibilidade dessa mobilização dar certo, como sempre.

Alternativas? Existem sim. E como existem. Porém as fontes “limpas” ainda são complicadas, por possuírem capacidade de geração extremamente limitada. Pode perguntar a qualquer especialista. Mas estamos falando sobre alternativas e isso, goste ou não, abre espaço para a alternativa atômica. Só que... convencer a opinião pública de que a energia nuclear seria uma alternativa realmente interessante, hoje em dia, é praticamente impossível. Usinas nucleares de última geração são completamente seguras, estáveis e relativamente baratas. Pergunte - novamente - a qualquer especialista. Mesmo que ele leve dias para te convencer, é bem provável dele conseguir.

Só que... seriam necessários anos e anos de catequese e demonstração ao povo e até mesmo aos vários vermes ignorantes do governo sobre os benefícios da coisa toda. Seria necessário também um detalhamento específico, muito bem elaborado, numa linguagem fácil de ser entendida para o público geral, conforme ocorreu em várias escolas tanto da rede pública e privada sobre a central nuclear de Angra, em 1978. Nessa época, meninos do primário saiam das escolas dizendo: “pai, quando eu crescer eu quero trabalhar em Angra!” É... os militares sabiam fazer a lição de casa... A coisa toda não estava muito errada não...

Como sabemos, nada disso vai ocorrer e não se trata, agora, de ceticismo puro e simples não, e sim de realidade. Afinal, uma hidrelétrica apresenta facilidades para superfaturamento e todo o tipo de maracutaia possível e imaginário quanto à licitações. Não é a mesma coisa com uma central nuclear. Nesse caso, se trata apenas uma pilha gigante, movida à urânio, com uma casa de transformadores ao lado. Fica mais difícil do governo e da própria iniciativa privada fazer rolos com superfaturamentos por haver, em termos, uma quantidade menor de mecanismos diretos e indiretos para o funcionamento de uma usina atômica. Acredite: uma usina nuclear é infinitamente muito mais simples de ser construída e instalada do que sua contra parte movida à água.

Hidrelétrica? É coisa demais. É área a ser desapropriada, é “estudo” que tem de ser feito, é desocupação, é especulação em cima de imóveis a serem construídos para serem habitados pelos coitados que vão perder suas casas, é indenização... é muita oportunidade para se meter a mão. Muita mesmo. São praticamente milhares e milhares de processos onde cada um deles apresenta possibilidades excessivamente atraentes para os larápios do governo enfiarem a mão numa grana preta.

Sabe como é: quanto mais fáceis as condições para a roubalheira, mais interessado o governo fica. E claro, muita coisa da iniciativa privada também, principalmente, aquelas que são bem ligadinhas às licitações do governo. Tremenda festa para os vermes, chefe.

A única coisa - em minha humilde opinião - a qual as pessoas devem tentar reforçar, é que, antes de de tentar falar em barrar uma obra dessa magnitude - e quero também deixar claro que sou contra a construção não apenas devido aos inerentes danos ambientais, mas também por ser uma mina de ouro para os ladrões oficiais, aqueles cujo o planejamento de suas ações de terror ocorrem lá no prédio com duas cuias na capital da nação - é que façam isso com a consciência de que sim, é possível deixar isso de lado e gerar energia de outro jeito.

Mas que haja o mínimo de pesquisa para se falar sobre alternativas viáveis - do ponto de vista financeiro e não moral - para que não se caia na comodidade do tipo “não, não façam isso, faz mal ao meio ambiente” e pronto. Só isso não resolve o problema. Em tese, a questão da preservação do meio ambiente seria naturalmente considerada, e em uma ótica utópica, sem a necessidade de qualquer debate sequer.

Agora, do ponto de vista moral... caramba, dá até desânimo... Mas vamos lá:

Jamais foi possível esperar algo realmente benéfico do governo, a não ser que o mesmo esteja sendo o maior beneficiado na empreitada. Quando é assim, qualquer outro benefício para a população ocorre apenas como efeito colateral. Talvez tais efeitos até sejam minimamente desejados pela parte de maior interesse - o próprio governo - quem sabe? Mas é pura bobagem achar que no futuro essa postura vá mudar. Não vai. Simples assim.

Se por mágica aparecesse uma alternativa com a possibilidade do mesmo superfaturamento e sacanagens afins, e que por ventura não lascasse de vez com o meio ambiente, aí sim, “Belo Monte” jamais seria uma central hidrelétrica. E, usando o clichê mais clichê desses tempos devido à circunstâncias óbvias, veríamos um “a natureza agradece”.

Se você ainda não viu o vídeo, recomendo assistir agora. Depois, continue por gentileza.


Movimento Gota D'agua_Belo Monte from Joao Padua on Vimeo.
link para assinar: www.movimentogotadagua.com.br


Assistiu? Beleza. Agora convenhamos: pedir diretamente ao atual presidente, ou presidenta - sei lá que diabos é aquilo - a anulação do projeto levando-se em consideração os valores morais do futuro para com a educação brasileira? É sério isso?

Caramba chefe. Não há conjunto moral nem para sequer se pensar numa coisa dessas antes de tantas outras mazelas a serem resolvidas e que, também não vão ser, diga-se de passagem!

Eu sinceramente não consigo achar expressões condizentes com a tamanha ironia e palhaçada no pedido final do vídeo, apesar da iniciativa ser ótima, como já disse. Isso me fez rir um bocado. Não é comédia não, mas tenho o humor fácil, pelo menos, de vez em quando.

Mas há um lado bom. Como sempre, há um lado bom. No final das contas, pelo menos, provavelmente pela primeira vez - levando-se em consideração as atuais facilidades possibilitadas pela internet - pode ser que haja uma discussão realmente séria em cima de um assunto realmente sério. Pelo menos isso.

Ah sim, claro, notou a presença dos tais globais no vídeo, certo? Isso também tem seu lado bom e ainda bem que eles foram utilizados. O motivo é simples: o povo acredita nas palavras dessas figuras. Se qualquer um deles resolver aparecer pintado de rosa ou com uma jaca enorme pendurada no pescoço no meio da rua amanhã, a quantidade de gente ostentando a mesma cor na pele e carregando a mesma nobre fruta pendurada no dia seguinte, será maior do que toda a população da Inglaterra.

Meus desejos de boa sorte aos que abraçam a causa. E, não é querendo desanimar não, mas, ainda segundo meu tio, esse é o primeiro de mais 20 projetos que estão no papel para a construção de usinas hidrelétricas no país. Lembra quando eu disse duas dúzias lá em cima? Pois é chefe... é por aí.

Como disse, muito boa sorte. Vão mesmo precisar.

Link original do vídeo no Vimeo:
http://vimeo.com/32112748

Movimento "Gota D'Água":
http://www.movimentogotadagua.com.br/ 

E.Moraz. 

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