segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Quando DJs não são DJs ou...

…dizem que não são, sendo, ou ainda, que são “produtores”. A confusão fica mais séria quando alguém é conhecido no mundo todo sobre a alcunha das duas letras, mas mesmo assim refuta o título e ainda declara, para a imprensa internacional:

“Eu Odeio DJs!!!” – Ah sim, claro. Isso deu um boró lascado. Mas... passou...

Não. Não vai dar para entrar no mérito da questão. Afinal de contas, qualquer um hoje em dia com duas pick-ups “Tecnhics” e um mixer se diz “DJ”. Uma baita injustiça com os profissionais de verdade, diga-se passagem.

Só por causa disso a polêmica já estaria instaurada, com vertentes muito além do objetivo da mensagem do post.

Com a figura do “produtor” era um tanto quanto mais complicado. O camarada tinha de ter um estúdio de milhões de dólares, cheio de equipamentos os quais dariam inveja ao capitão Kirk e seu colega Jean Luc Pickard, ambos, motoristas da espaçonave Enterprise. Uma espécie de “neverland” à la Michael Jackson para nerds e hipsters. Mas, surpreendentemente, e dessa vez falo dos produtores de verdade, um bom computador um excelente microfone, e mais alguns poucos brinquedinhos fazem praticamente tudo o que se pode imaginar. Brian Eno e os cada vez mais chatos integrantes do U2 que o digam.

Joel Thomas Zimmerman, mais conhecido como “Deadmau5” ou “Deadmouse” ou ainda “rato morto” para simplificar é um... um... eh... bem... é um DJ que não gosta de ser chamado de DJ, diz odiar DJs e... peraí, desculpa. Vou começar novamente:

Joel Thomas Zimmerman é um produtor canadense, mais conhecido como “deadmouse” e apesar de odiar DJs, se juntou a outro... eh... bem... “colega?”, conhecido como “Kaskade” e recrutou Haley Gibby, uma loira bonita e dona de uma voz macia e extremamente sensual.

Em tempo: Pena ela ser constantemente prejudicada em suas performances ao vivo por falta de retorno decente no palco. Mas profissional de verdade, quando precisa, se vira de qualquer jeito. Gibby não é exceção.

O resultado foi uma canção de house progressiva, conhecida nos nightclubs decentes do mundo como “I remember”, lançada em 2008 pela Virgin Records na Europa e pela Ultra Records nos Estados Unidos.

Tudo bem. O famoso tuntxi-tuntxi-tuntxi é na maioria das vezes um pé no saco quando os playboys, campeões de torneios de som automotivo te obrigam a ouvir o que eles querem, mesmo quando você está no meio da rua ou trabalhando em seu escritório – o que faz o ódio pela música eletrônica crescer não só em correspondência aos autores do nada incomum episódio, mas ao segmento musical inteiro.

Mas justiça seja feita: DJs e produtores, ou seja lá como queiram ser chamados, costumam ter tendência de elaborar peças memoráveis quando colocam um toque de romance mesclado com um tiquinho de poesia no meio do bate-estacas eletrônico.

Uma pitada de classe de vez em quando não vai trazer qualquer problema às suas respectivas reputações de entertainers. O “rato morto”, seu parceiro de projeto “Kaskade”, David Guetta e outros nomes sabem disso muito bem.

No caso de “I remember”, a recomendação em um dos comentários do vídeo no YouTube é para que se veja o vídeo sob efeito de ácido. Que coisa feia...

Mas nem precisa. De jeito nenhum.
E.Moraz.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Black Keys - Novo Single: Lonely Boy

Eles são simples. Um baterista e um guitarrista. De vez em quando - muito de vez em quando - se ouve algumas notas de um órgão. Ao vivo, alguns convidados. Mas no estúdio é só isso mesmo: dois caras, uma bateria, uma guitarra e bastante simplicidade.

A fórmula é bem conhecida, totalmente espontânea e, colocando as coisas assim, parece não haver muito motivo para dar alguma moral para a dupla.

Mas, há alguns pontos a serem considerados com um pouco mais de atenção:

Os caras com jeitão de nerd de Akron, Ohio, Estados Unidos, não apareceram de uma hora para a outra. Gravam desde 2001 e muito antes disso já eram respeitados na cena underground local. Imagina o quanto deve ser difícil agradar a meio mundo de gente devidamente treinada para dizer que tudo o que vê e ouve é uma droga... né fácil não viu...

O legal mesmo é que, de lá pra cá, conservaram a simplicidade nas canções. Não é muito conveniente chamar o som dos caras de "blues tradicional" ou "rock clássico". Ninguém tá afim de aguentar os chatos puristas de plantão falando abóboras em nossos ouvidos.

Eis o que importa: os caras ainda fazem boa música, ainda que toda essa simplicidade já não seja aplicada aos negócios: "Black Keys" anda vendendo como nunca, e ainda por cima, uma das canções de maior sucesso, "Your Touch" vai constar no "set" da trilha sonora de um filme estrelado pelo veterano Liam Neeson. Devem estar tirando uma grana boa. Merecidamente, diga-se de passagem.

Se tudo correr bem, "Battleship" vai ser lançado em 2012 e vai contar a estória de uma frota de navios que encontra um "troço" no meio do mar. O tal "troço" é de outro planeta e aí a bagunça tá feita.

Soa familiar não é? Mais do mesmo e só. Isso sim é coisa para não dar muita moral. Pouca gente ainda aguenta estória de alienígena vindo para a terra acabar com tudo. Como se precisassem...

O novo single dos caras se chama "Lonely Boy" e faz parte do novo álbum "El Camino" previsto para o início de dezembro.

A dica é essa: se você gosta de um uísquinho de vez em quando - a palavra pode até ser abrasileirada, mas a recomendação é de que o líquido seja gringo, para evitar a ressaca - "Black Keys" é simplesmente uma excelente trilha sonora de fundo. Pra falar a verdade, o tempo vai passando enquanto você ouve e a massa sonora acaba é se tornando um convite para ficar é completamente bêbado, isso sim.

Portanto, aprecie com moderação e deixe sei veículo na garagem!

Tudo bem... nada dispensa as montanhas de sintetizadores e solos virtuosíssimos daquilo tudo que eu e você escutamos no meio das bebedeiras "solo" ou com amigos, mas dê uma chance aos caras com jeitão de nerds lá de Akron.
 
Com umas boas doses de um bourbon ou de um scotch mais ou menos decente, a diversão é mais do que garantida.


E.Moraz.



A Poesia Vive. De certo Modo. Mas Vive!!!

A instituição:
Bradesco.

Os personagens:
Mauro Junior - Internauta.
Tábata Cury - Equipe de Mídias Sociais do Bradesco.

O caso: 
Mauro Júnior é correntista do Bradesco e parece ter perdido o seu cartão magnético. Achou uma forma criativa de relatar o ocorrido ao banco e requisitar outro cartão: postou um poema no Facebook do Bradesco:

“Banco Bradesco querido
Quisto por mim e os meus
Tens sua morada paulista
Bem na Cidade de Deus

Vejam que bela homenagem
O próprio Deus concebeu
Para a sua cidade
O vosso Banco escolheu

Eu até que me poria
Em alta colina à bradar
Peito banhado em verdade
Bradesco em primeiro lugar

Mas venho por outro motivo
O que findou meu sorrir
Para por fim ao martírio
Um favor vou lhes pedir

Plena falta de cuidado
Digna de um jabuti
Fazendo compras no mercado
O meu cartão eu perdi

Antes que eu passe fome
Faço a solicitação
Ao meu Banco preferido
PRECISO DE OUTRO CARTÃO!” 

Valendo-se do ímpeto criativo semelhante, eis a resposta à solicitação de Mauro:

“Mauro querido cliente

Pra você ter outro cartão

à sua agência deve ir pessoalmente



Mas não será por motivos fúteis

Você irá cadastrar uma nova senha

E seu cartão chegará em até 7 dias úteis



Agradecemos sua compreensão

E sempre que precisar

Pode contar com a nossa colaboração


:-)” 

Justiça seja feita, foi uma forma “fofa” de requisitar um novo cartão ao banco, e claro, condizente com uma excelente forma de adquirir popularidade, afinal, segundo "O Globo", até a noite da última terça-feira, 1700 pessoas haviam “curtido” o poema do internauta. A nobre responsável pelas mídias sociais do Bradesco ainda não atingiu a mesma popularidade, mas sem dúvida está se saindo muito bem: foram 1200 cliques até então.

Levando-se em consideração o esquema visualizei-curti-copiei-colei-adotei, é bem capaz que a moda pegue. Só quero ver se o nobre Bradesco vai ter condições de atender a todas as requisições com um préstimo tão “carinhoso”.

Claro que a maldade já começou, como sempre. Tem muita gente dizendo sobre tudo ser armação do banco para projeção de sua marca nas redes sociais e afins.

Pessoalmente prefiro acreditar na parte lúdica da coisa, aquela responsável por fazer alguém clicar no botão da curtição lá no tal do Facebook.
Um pouco de criatividade é sempre bom, seja lá como for. E nem precisa ser um "tratado erudito".

Foi massa Mauro e Tábata. Aqui não tem o tal botão, mas eu curti também.
 
:)


E.Moraz.

Link para a matéria do "O Globo":

http://oglobo.globo.com/blogs/nasredes/posts/2011/10/25/cliente-sem-cartao-bradesco-trocam-poemas-no-facebook-413240.asp

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pelo Direito de Ser Apolítico

A etimologia desse vocábulo é bem curiosa - para não dizer engraçada. Aqui está, de acordo com o "Wiktionary":

"a(n)- + político
cf. grego apolitikós,ê,ón (inadequado para os negócios públicos)".

É isso aí. Fui olhar. Não me lembrava com exatidão se a palavra realmente existia.

Então eu sou um "inadequado para os negócios públicos". Nem fico grilado com isso não, sabe? Afinal de contas, nem negócio eu tenho, como então eu poderia ser inadequado? 

O fato mesmo, é que odeio política.

Pronto. Falei. A patrulha dos bons costumes e todos os seres considerados só Deus sabe por quem e autoproclamados "cools" do país podem, de uma hora para a outra, ficar com vontade de ver minha carcaça derreter em uma tina de ácido sulfúrico. A minha sorte, é que ninguém lê meu blog e acho meio difícil de uma hora para outra eu me tornar popular. Andy Warhol não estava errado sobre os tais 15 minutos de fama. Mas, a ousadia para tornar suas palavras sacramentadas em referência a este que vos digita, teria de ser bem maior do que a simples disposição de colocar algumas abobrinhas em um blog. De qualquer forma: Ufa!!!

Mas é isso mesmo. Odeio política e não adianta ninguém vir falar sobre essa ser uma condição normal, de pleno direito do sujeito, totalmente passível de respeito e blá blá blás afins. Toda essa ladainha é a mais típica do modelo "não concordo com você, mas te respeito".

Sempre fiquei de orelha em pé feito o basset da vizinha quando a nobre criatura é chamada pelo nome ao ouvir o tal "não concordo, mas te respeito". Será mesmo? Não boto fé não, chefe... Na boa. O simples motivo da necessidade de um dos interlocutores em um "diálogo"; (ou peleja, se for o caso) se prestar a fazer de tudo e mais um pouco para te convencer a seguir uma opinião contrária à sua já me deixa desconfiado daquilo tido como "respeito".

Todos nós sabemos como se processa. É uma profusão rápida e rasteira de uma demonstração de empenho ímpar. Uma espécie de tour-de-force onde estão incluídas "evidências" registradas em revistas, argumentos citados em livros, artigos publicados em sites, ensaios e frases feitas em blogs... é justificativa que não acaba mais. Invariavelmente aparece a famosa citação cujo o autor é um daqueles indivíduos constantes em sua secreta lista de sujeitos chatíssimos, porém, referenciado como um Deus por seu professor ou professora de sociologia, antropologia, ou outro "gia" qualquer. Se bem que, para falar a verdade, a referência não precisa ter tanta "qualidade" assim. Mas tem de ter uma referência. Ah isso tem. Ô...

Tá. Questiona-se: mas não é assim que acontecem as conversas inteligentes? Inteligente uma ova, chefe. Quando a coisa chega a um patamar desses, onde o camarada só falta arrancar as tripas para provar a posição dele e fincar a bandeira de seu inerente e inevitável senso de superioridade no centro do seu tórax, a única prova de inteligência é na atitude de se calar e pronto. Não é muito fácil não, eu sei. Mas ainda chego lá...

É isso aí. Antigamente calava-se por hábito, por causa do DOI-CODI, do AI-5 e de meio mundo de coisa que não faz o menor sentido para quem não tem pelo menos "X" anos de idade; (não que ter determinada idade represente alguma vantagem). Hoje em dia, cala-se para, entre outros benefícios, não gastar a voz; (ela vai ficando terrível com a idade, acredite). Além disso, de acordo com a sabedoria popular, "quem cala consente". Quer coisa melhor do que fazer o outro pensar que você tá consentindo algo? Deixa o outro pensar, vai... tem problema não... Lá na frente, na hora de colocar as coisas em prática, as chances de tudo dar certo ou não, pouco vão depender de quem quis impor sua opinião. O motivo é simples: ao ouvir o "não concordo contigo, mas respeito", já se sabe que a batalha foi perdida. Chances de acordo: zero. Paciência. É hora de nova tática ou então de uma retirada estratégica. Por isso, o "desarrolho final" já se encontra dependente de outra dinâmica. Mas uma coisa é certa, chefe... não vai nessa que nego tá te respeitando não... na boa...

A coisa do "não concordo contigo, mas te respeito", é atualmente mais comum em dois assuntos específicos, os quais foram os responsáveis pelas maiores desgraças já ocorridas nesse planeta desde que a criatura conhecida como "homem" pisou em sua superfície: política e religião; (não necessariamente nessa ordem). É difícil afirmar qual dos dois é mais complicado. Talvez seja a religião devido ao seu fator de letalidade. Enquanto os mais "cools" do país provavelmente iriam adorar ver minha carcaça derretendo em uma tina de ácido sulfúrico ao saberem que não gosto de política, é bem capaz que, ao proferir certas linhas sobre religião, o restante dos outros mais "cools" do mundo iriam projetar uma forma de tortura tão terrível a ponto dela ainda sequer existir. Seria um troço certamente mil vezes pior do que a sala 101 do livro "1984" de Orwell. Mais uma vez, pelo fato de ninguém ler meu blog: Ufa!!! Se bem não coloquei nada sobre religião em lugar algum. Ainda.

O motivo da minha bronca com a política não é de hoje, mas o assunto me veio à telha quando percebi a inerente polarização dos blocos políticos dispostos entre as maiorias, e de forma automática. Explica-se: ao realizar um determinado comentário sobre uma matéria na Folha.com, uma reportagem sobre mais uma das trapalhadas de nosso governo, um distinto internauta me respondeu, certo de que estava delatando minha preferência partidária. O formato da informação me soou um tanto quanto peculiar:

"Chora viúva do FHC... chora!"

Confesso que fiquei sem entender. O sujeito tava dizendo que eu era uma "viúva" do FHC...

Pirei chefe... pirei de verdade. Logo eu que nunca tive qualquer simpatia pelo ex presidente do país ou por qualquer outro exercendo tal nobre ofício; logo eu que nunca, jamais cheguei a sequer acreditar na possibilidade do quase Semideus Tancredo Neves fazer algo decente pela nação, logo eu que nunca me afiliei, não sou afiliado e jamais me afiliarei a partido algum, logo eu que deveria era ter lido a reportagem e não ter comentado absolutamente nada... Sinceramente, "viúva do FHC" foi de lascar.

É diferente de você ser chamado de F.D.P. ou similar no trânsito ou em qualquer outra circunstância. Afinal de contas você tá cansado de saber: a senhora sua mãe não é e nunca foi uma profissional do sexo então isso não te ofende, mesmo que você seja juiz de futebol. Mas, "viúva do FHC"? Tenhamos santa paciência... que meleca...

Não retruquei. Pelo contrário, ao invés de ir falar qualquer coisa do mesmo nível ou pior para o tal sujeito, fui gerar algumas reflexões sobre o assunto e é isso aí: ou você é de esquerda, ou de direita e não importa se a direita um dia foi de esquerda e a esquerda foi de direita, como tampouco há qualquer consideração sobre nenhuma das duas ter sido realmente o que ostentam. Em palavras simples: apesar de ambas já terem sido coluna do meio, do tipo "em cima do muro" feito os conteúdos sobre política da revista "Veja" e tantas outras, está implícito que você tem que ser uma coisa ou outra. Fim de papo. A pena se não for é a tina de ácido, ainda que imaginária e, às vezes, dependendo de seu "grau de importância à sociedade", mais plausível do que a dura realidade de quem vive com salário mínimo ou, não raro, sem salário algum.

Motivos. Sim, as razões. Adianta nada falar sobre odiar algo sem justificativa não é mesmo? Elas não valem só para o sujeito com vontade de fazer você engolir a ideologia dele não. Assim como é necessário ser de esquerda, direita ou ter uma opinião definida - desde que a tal definição agrade a um ser específico ou à maioria - é de bom tom justificar tudo em moldes semelhantes, ou seja, a referência não precisa nem ser muito boa, como comentado lá em cima. Mas ela tem de existir.

Chefe, na boa... política? Fala sério. Tudo bem, vamos tentar sistematizar do início. Qual é a função do governo? Não é te providenciar isso e aquilo em troca dos tributos pagos em um acordo entre cavalheiros dentro de um sistema imposto em cima de você desde quando você nasceu? Ninguém te perguntou como deveria ser, simplesmente você apareceu no meio da bazófia e teve de ser assim, certo?

Em tempo: né papo de comunismo não, tá? Adoro Cuba - apesar de ainda não ter ido lá, mas as fotos me convenceram - mas não sou do tipo que se satisfaz com rações de alimentação e um teto para morar. Sou pobre, mas tenho aspirações a ser um "pobre+", ou um "pobre plus". Meu computador tem não sei quantos GB de RAM, não uso nem 30%, mas quando for possível dobrar sua capacidade, assim farei, mesmo sem necessidade. Sou um consumista nojento. Alguma coisa assim meio feito o comprador de SUV, ostentador de seu troféu para atingir certo nível de status, ou o portador de um iPad a quem não precisa de jeito nenhum do aparato, mas é bonito mostrá-lo nos aeroportos, mesmo se não estiver rolando conexão. E olha, falar de Cuba é até meio suspeito. Cá entre nós, meu tio tá lá e tá ganhando um dinheiro da porra, chefe. Cifras as quais ele nunca conseguiu ganhar aqui. Mas isso é outra estória...(Em tempo: não tenho SUV nem iPad. Ainda nem cheguei perto da condição "plus").

Voltemos: onde eu estava mesmo? Ah sim, o governo. Pois é, qual é a função dele? Te falo. A função dele é te arrombar. Só isso. É o poder por poder, mesmo se seus membros já tiverem tudo. Alguma coisa assim meio feito Rockfeller. Não tem mais onde enfiar grana, mas a cada ano acha um jeito de conseguir mais poder. Na cabeça daquele indivíduo, a ideia de poder é algo infinito. Mas, mesmo assim, ele deseja - e provavelmente vai - chegar a tal patamar. Ninguém disse que infinito é sinônimo de impossível. Afinal de contas, se o cara pode estar no meio de conspirações suficientes para tirar a vida de milhares de pessoas e fazer o mundo inteiro acreditar em "ações terroristas", imagina o resto. O cara é quente, chefe... muito mais do que as ratazanas gordas e enrustidas; (sim, no sentido de sexualidade mesmo), lá do prédio com as cuias no D.F.

Então vêm aquele negócio do governo ser responsável por te dar segurança, emprego, educação, saúde, condições mínimas de sustento e sei lá mais o que. Isso é feito através dos tributos pagos pelos cidadãos e todos os usuários de seus mecanismos de infra-estrutura, como comentado. Bom... as palavras de motivo de riso já excederam a tampa, fala aí, vai. Isso tudo realmente é muito bacana, na teoria. Mas na prática, para quem não sabe como é; (alguém não sabe como é?), aqui vai uma pequenina mostra do que realmente rola:

- O governo tá se ferrando para a saúde. Basta alguém checar as estatísticas ou então ir tentar fazer um curativo qualquer na rede pública. Não, isso não é privilégio de cidade grande. Em metrópoles o caos é completo e absoluto. Em cidade pequena, simplesmente não há médico ou então não há estrutura. Às vezes não há nem um nem outro, e quando o pouco que existe ainda funciona, o governo vem e simplesmente aniquila o já parco, mas ainda necessário e louvado mecanismo. Quer prova? Exemplo? Simples. Vá até o interior de Goiás, chefe, mais especificamente numa cidade chamada Itumbiara. Tente perguntar para o prefeito da cidade - figurinha difícil de se ser encontrada, diga-se de passagem - e pergunte o motivo dele investir não sei quantos milhões em iluminação pública importada da Holanda na avenida mais "bonita" da cidade e após receber sua resposta, indague-o sobre as condições de saúde do município. Coloque a resposta aqui para a gente ver depois, por favor e por gentileza. Não dá nada não, pode crer. Apesar de verdades serem coisas não muito bem toleradas, como eu disse, ninguém lê o blog.

- O governo tá se ferrando para a segurança. Veja bem essa palavra: segurança. Ela denota todo aquele costumaz mecanismo envolvendo desde os agentes responsáveis por manter a paz e a ordem, passando por intrincados sistemas de monitoramento dos transportes em nossas rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, até chegar em especialistas prontos para agir contra indivíduos altamente organizados empenhados em executar delitos complexos e não facilmente detectáveis, e finalmente também incluem também nobres profissionais muitíssimo bem remunerados, símbolos máximos de códigos indeléveis sobre o que realmente é certo e o que é errado. Só tem um problema, chefe: Nada disso funciona. No Rio de Janeiro, a polícia militar fuzila uma juíza de direito, mata crianças, faz parte de verdadeiras máfias e milícias envolvendo vários setores do transporte público do município e ainda comete um caminhão de delitos os quais eu sinceramente não tenho a menor condição de relacionar nem aqui nem em qualquer outro lugar. As demais polícias estão divididas em duas outras atividades: a primeira, em fingir que trabalha. A outra, em ir atrás apenas de sujeitos a quem serão liberados em até 24 horas depois de serem encarcerados. Agora, use o bom senso para definir as referidas funções para as respectivas corporações. Não foi difícil, fala aí, vai.
Em tudo quanto é lugar, você acaba sendo o único e total responsável por sua própria segurança. Mas não se engane. Se um larápio entrar em sua casa na calada da noite para atacar sua esposa, seus filhos e/ou seu patrimônio e você meter bala para crivá-lo de chumbo, quem vai ter de se explicar para o resto da vida perante à nobre justiça, vai ser você. Como sabemos, isso é assim desde o Oiapoque até o Chuí.

- O governo tá se ferrando para a educação. Se com tanta escola pública, com tanta escola particular, com tanta universidade pública, com tanta universidade particular, com tanto curso à distância, com tanto MBA para todo lado, com tanto professor particular, e com tanta graduação em apenas 2 anos, com a tal da inclusão digital, com tudo isso o povo ainda engole todas as safadezas cometidas pelo governo, imagina então se a coisa piora? O governo tá é desesperado, pois é uma de suas missões - prioritárias, diga-se de passagem - piorar o que já não presta! Claro, com tanta coisa relacionada era para estar tudo bem, certo? Não, não é bem assim, simplesmente devido ao princípio de que quantidade nunca foi qualidade nesse assunto. Alguém se graduou na faculdade Xinguelingue e agora está apto a ter um emprego ganhando um pouco mais de de um salário mínimo: justiça seja feita, a figura realmente merece uma menção honrosa, mas, pronto, está bom demais. Senso crítico? Pra que... isso não enche a barriga de ninguém não. Só traz confusão, não mostra resultado prático em absolutamente nada. Continuemos engolindo qualquer coisa inventada pelo governo. É isso o que eles querem. E quem engole parece não se incomodar. Do que mais precisamos?

De mais nada. Apenas, em determinados casos específicos, de dizer sobre o direito de ser apolítico. E, numa boa, se você também não gosta da tal da política, então diga a mesma coisa, sem vergonha alguma. Se for para ficar calado, fique, mas só depois de dizer que não gosta. Nunca antes. Já chega de termos a obrigação de uma conscientização totalmente inútil e incipiente sobre aquilo de que pouco vale para quem tem realmente a necessidade de dar o sangue para viver, pois de pouco adianta. A consciência política ajudaria um bocado se por acaso houvesse de fato um mecanismo no qual pudesse valer à pena às experimentações de propostas realmente sólidas e condizentes com as realidades do país. Nós já somos ridiculamente obrigados a votar. Nós já somos ridiculamente obrigados a "exercer a democracia". Então pronto. Podemos ao menos ir às urnas, apertar o botão branco repetidas vezes, acabar logo com a palhaçada e voltar para casa para aproveitar o resto do feriado. E só.

Todo o discurso político, não importa de quem, não passa infelizmente de balela, pois quando se está lá dentro, ou se entra no esquema, ou então a cabeça do indivíduo é cortada, não importando quais são as intenções; (e tem gente que acredita em "faxina", meu Deus). Lobby é investimento, e o prédio com as tais cuias é como um cassino. Alguns jogam suas fichas em alguns números da roleta. Cada um deles representa uma cadeira de responsabilidade dentro do cassino. É importante verificar com exatidão onde a bolinha vai parar. Demais jogadores sentam-se em mesas de pôquer e travam verdadeiras batalhas telepáticas para o desbravamento das cognições do adversário, esperando assim um compartilhamento inconsciente de suas artimanhas, das articulações de suas falcatruas, da leitura de alguma das peças do quebra-cabeças gigantesco da composição de interminável catálogo de atos corruptos. É importante tentar perceber algo, para seguir os mesmos passos. Uma associação, talvez, desde que sejam "respeitados" os respectivos montes de dinheiro usados para calar a boca de quem deve ser calado e para prevenir a entrada de câmeras escondidas dos pasquins eletrônicos, aqueles que deduram todo mundo e mesmo assim nada acontece.

Não se engane. A tal consciência política na era Collor colocou um presidente para fora. Pergunta: e daí? Adiantou alguma coisa? Ou o caso PC Farias foi mais deprimente e mais corrupto do que o banditismo do PT do mensalão e de acontecimentos subsequentes?

E assim, o seu dinheiro e o meu também, é devidamente utilizado pelos jogadores lá do cassino. Assim eles podem continuar a criar e manter seus elementos de ostentação, tudo devidamente repartido nas mesas dos jogos de azar. Se bem que, como já andaram falando, nem é preciso investir muito lá no cassino do clube privé, cravado nas entranhas do prédio das duas cuias. As regras da casa dizem o seguinte: "quem entrou, não vai sair sem seu quinhão".

E que quinhão chefe...

...e que quinhão...

E.Moraz.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

McDonald's: Memórias, Lamentos e Trabalho "Escravo"

Headline da seção "Mercado" na Folha.com em 20 de Outubro de 2011:
"McDonald's é convidado a explicar denúncia de trabalho escravo".

Link para a matéria:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/994109-mcdonalds-e-convidado-a-explicar-denuncia-de-trabalho-escravo.shtml

O que me deixou curioso foi o uso dos termos e seus prováveis significados. Vejamos: "convidado" e "escravo". Não é querendo dar uma de chato não, mas eu diria ser necessária uma definição bem legalzinha das duas palavras. Também não se trata de nenhuma consideração à cerca da gramática, pois com a maior sinceridade do mundo, se algo confeccionado por este que vos digita não tem qualquer necessidade de se prestar a cunhos profissionais, então eu quero mais é que a gramática normativa da terrível língua portuguesa vá direto para o inferno e, de quebra, que carregue todos os responsáveis pela recente inútil reforma ortográfica, incluindo seus coadjuvantes e parasitas semelhantes.

A dúvida aqui é sobre o entedimento puro e simples. Só. Afinal, um convite pode ser aceito ou não, pelo menos penso eu. E escravidão, até onde sei, é quando uma pessoa é capturada e forçada a trabalhar sem qualquer direito referente à remuneração, condições de bem-estar e todo o blá blá blá inerente. Mas, como não sou o dono da verdade e nem das coisas as quais ainda pago as respectivas e intermináveis prestações, posso estar errado.

Ou não.

Não me lembro com perfeita exatidão de como está no dicionário, mas arrisco dizer não haver qualquer menção à obrigatoriedade de ações no significado da palavra "convite" e suas ramificações. Então, fica fácil sistematizar uma primeira interpretação: o McDonald's vai dar explicações se quiser, é isso? Agora com a tal da justiça,(palavrinha triste, meu Deus), a gente recebe um convite para dar explicações e só vai se estiver com vontade? Nunca cometi delitos a ponto de ter de me explicar, mas antecipo-me em dizer sobre minha respeitosa recusa caso um dia seja interpelado através de um "convite" da mesma espécie. Entretanto, mais uma dúvida acaba de me ocorrer: será que grandes corporações são apenas convidadas a dar explicações e os manés da classe trabalhadora como eu são obrigados à comparecer perante às autoridades? Alguém me explique, por favor. Sério. De justiça eu só entendo uma coisa: ela não funciona. Não para mim, pelo menos.

O vocábulo seguinte é o elemento de maior relevância da polêmica: "escravo". Deixando um pouco a preguiça de lado dessa vez, fui até um dicionário on line apontado pelo Google e cliquei em um dos primeiros resultados na relação de links. Não sei se o tal dicionário é mesmo confiável, mas de qualquer forma está lá:

"escravo
s. m.
1. Cativo, o que vive em absoluta sujeição a outrem.
2. Súbdito de um tirano.
3. [Figurado]  Dependente; dominado por um sentimento, uma ideia.
4. Enamorado.
5. [Portugal: Trás-os-Montes]  Maltratado, mal alimentado.
ser escravo da sua palavra: cumpri-la custe o que custar".

Quanto à aplicação do verbete ao caso do McDonald's, não fiquei muito convencido não... explica-se:

1. Os funcionários da gigante dos hamburgers não vivem em absoluta sujeição a outrem. Com certeza são submetidos à verdadeiros absurdos dentro do ambiente de trabalho, mas se o saco estourar de vez, não importa a necessidade do indivíduo: ele vai mandar o "outrem" para a puta que o pariu e sem pestanejar muito. Duvido um bocado aparecer qualquer coisa na carteira de trabalho do sujeito com o poder de impedi-lo de encontrar serviço semelhante. A justiça do trabalho tem uma forma muito peculiar de considerar determinados assuntos como  "sérios de verdade". Esse, e outros realmente sérios, jamais seriam tratados com a devida consideração, seja lá qual ela possa e necessite ser; (por essas e outras, a palavra "justiça" é de uma tristeza sem par). Em essência, trata-se de pura sorte. Mas nesse caso em específico, não dá boró não. Seria um gato e rato desnecessário, o qual ninguém teria a paciência necessária para destrinchar a coisa toda como ela deve ser. Não devemos nos esquecer de onde estamos.

2. Bom, isso quase todos nós acabamos sendo. Plantam uma conversa bonitinha sobre democracia e representantes escolhidos pelo povo e não sei lá mais o que, e a mundiça engole. E engole numa boa. No final das contas, quem está por cima, está por cima e quem está por baixo, está por baixo. A submissão no caso não é comparativa à determinada posição quando se está fazendo uma das poucas coisas responsáveis por dar algum sentido à vida, mas tirania por tirania, velada ou consolidada, quase todos nós a vivemos. Alguns mais, outros menos. Infelizmente, muitos morreram e ainda vão morrer por causa dela. No momento alguns nomes famosos surgem na telha, assim, de bobeira: Adolf Hitler, Napoleão Bonaparte, Nicolae Ceausescu, Ho Chi Minh, Bush pai e Bush filho, Ernesto Geisel, João Batista de Oliveira Figueiredo e outros(as) os quais minha infeliz covardia não permite inserir no momento. Talvez outra hora. Em tempo: coloque o nome do seu chefe, aqui:____________________________________. Com certeza ele merece estar na "galeria", né não?

3. Heinrich Himmler uma vez disse: "Uma mentira dita 1000 vezes torna-se verdade". Se até a amante ou o amante de alguém acredita que sua quase outra parte ainda mantêm seu casamento porque o cônjuge está acometido de câncer ou outra enfermidade maligna e ainda há a esperança de tudo ficar de acordo com suas fantasias mais profundas, o que dizer das massivas e sistemáticas ações referentes aos cada vez mais eficazes mecanismos de propaganda? Os nobres profissionais de criação sabem muito bem como isso funciona, não é mesmo queridos colegas? E antes que eu esqueça: legal o dicionário ter colocado [Figurado] antes do significado do verbete. É um aviso para o leitor que as coisas "não são bem assim". Com o McDonald's não é diferente. A propaganda funciona, e muitíssimo bem, diga-se de passagem. A essência, é outra estória.

4. Que bonitinho!!! Um toque romântico no meio de tanta meleca...

5. Deixa esse pra lá... Não há necessidade de ofensas às nossas origens.

A conclusão parece ser óbvia, mas garanto: não é óbvia e muito menos uma conclusão de fato. Não defendo o McDonald's, de maneira alguma. Muito pelo contrário. Tenho razões de sobra para atacá-lo em todas as frentes e tais observações servirão de base para a verdadeira conclusão a qual eu a antecipo aqui e agora: O quadro de funcionários do McDonald's é formado por gente despreparada, de baixíssimo nível. Logo, a rede de restaurantes paga uma verdadeira merreca, condizente com a péssima qualidade de desempenho geral de seus funcionários. O serviço "sai". Não importa como, mas sai. E isso para a direção do McDonald's, está ótimo. Os manuais de operação e treinamento da empresa mandam os atendentes falarem bom dia, boa tarde e boa noite com um sorriso amarelo estampado na cara e só. Também mandam o atendente continuar com o maldito sorriso em caso de reclamação por parte do cliente e para a direção geral, isso é mais do que o suficiente para providenciar um "bom atendimento". Se o caixa está legal, dentro dos parâmetros estipulados. Tudo mais decorre. E nada mais importa.

Com exceção dos sorvetes eu não gosto do que é servido no MacDonald's. Mas em determinadas ocasiões a cadeia de restaurantes até poderia ser bem útil, principalmente, quando se está com muita pressa. Em tese e teoria, tudo deveria funcionar muito bem e agora chego ao ponto de colocar minhas desventuras pessoais quanto à franquia, nas vezes que eu a busquei em ocasiões as quais o fator tempo foi de total relevância. Eu concordo piamente com o fato de que muito do que está colocado a seguir, é bem difícil de acreditar. Mas não só dou a minha palavra sobre tudo ser verdade, bem como em várias ocasiões eu enviei correspondências para a direção do McDonald's, com os mesmos relatos. Alguns deles incluíam vários detalhes de relevância, como nomes de funcionários e gerentes. Eu realmente estava os dedurando. Tudo em vão, diga-se de passagem.

- Não me lembro o ano, mas foi logo quando um restaurante começou a funcionar nas proximidades de onde moro atualmente. Na época o pagamento com cartão de débido/crédito era uma modalidade relativamente rara nesse tipo de estabelecimento. Porém o McDonald's aceitava cheque. Entrei no drive-thru e fiz meu pedido. A demora foi tanta que o cliente de trás desceu de seu carro para me perguntar o que estava acontecendo. Cerca de uma hora depois eu fui atendido. O motivo da demora, foi a inexistência de uma caneta para preenchimento do cheque. A máquina que fazia isso automaticamente estava, segundo disseram, quebrada. O mais irônico, é que o cliente do carro atrás do meu tinha uma caneta...

- Em um shopping de Goiânia o meu pedido foi um "Número 2". As pessoas atrás de mim na fila eram atendidas e nada de sair meu pedido. Aproximadamente 20 minutos depois eu resolvi perguntar a uma das atendentes o motivo de todo mundo ser prontamente atendido e eu não. Então uma delas me perguntou, conforme eu previ, qual havia sido meu pedido. Mostrei o talão emitido pela caixa registradora; (ou sei lá como se chama aquilo), e disse: "Eu simplesmente pedi um Número 2!". A atendente então me perguntou: "Moço, pode ser outro sanduíche?". Pedi meu dinheiro de volta e saí do restaurante. Não estava disposto a comer outro sanduíche e tampouco esperar só Deus sabe mais quanto tempo. Fui embora. Com fome.

- Um amigo meu insistiu, apesar de meus protestos, em passar pelo drive-thru e eu caí na besteira de tentar comprar um sundae. Afinal de contas, tá no inferno, abraça o capeta, não é mesmo? Entreguei meu cartão de débito, disse que era débito, o cartão estava ativado apenas com a função débito e assim deveria ter sido: débito para o preço do sundae e fim de papo. Mas não... A moça do caixa conseguiu - não sei como - ativar a função de crédito do meu cartão, me exigiu uma senha a qual eu não sabia qual era, e ainda me apresentou um certo comprovante no qual eu deveria assinar. Levou quase 40 minutos para o impasse ser resolvido e isso, claro, atrasando os demais clientes atrás do carro onde estávamos. Não levei o meu sundae.

- Algumas pessoas que estavam comigo disseram que queriam lanchar no McDonald's, para meu desespero. Conhecendo minha falta de sorte para com o distinto estabelecimento e sem querer ser o estraga prazeres de ninguém, me limitei a entrar, sentar, assistir o desenrolar do drama de quem está na fila para conseguir seu pedido e observar com bastante atenção as atitudes dos funcionários. Um deles estava coçando o pinto com a mão esquerda e seu semblante pouco mudou ao perceber que estava sendo observado. Uma funcionária cantava a altos brados e a plenos pulmões uma música sertaneja. A cada verso da maldita canção, mais empenho a moça colocava em sua voz. O gerente, aquele vestido com o uniforme diferente, estava contando a uma pessoa - a quem acreditei ser amigo ou no mínimo, conhecido - como havia dado um murro na cara de um motorista que  "estava falando abóboras" para ele no trânsito. "Não teve jeito não meu... Desci da moto, fui lá e acertei o cara". "Você é doido, numa dessas tu leva um teco a qualquer hora". "E daí? Foda-se! Se eu tenho de levar teco, eu levo, fazer o que? Uma hora todo mundo tem que ir, velho". O empenho no volume do relato, para ressaltar a valentia do camarada, duelava com a potência da garganta da maldita cantora de música sertaneja, a qual também cuidava das fritas de alguém na ocasião. Decidi deixar tudo de lado e nem comentar o assunto com quem voltou da fila com as bandejas. Mas foi inútil. A atenção delas também foi tomada pelo o que estava acontecendo e os comentários foram inevitáveis. Clima perfeito para uma refeição...

- Ao tentar comprar um Guaraná no mesmo restaurante tempos depois, pedi sem gelo. Não veio nenhum Guaraná e o líquido, que deveria ser Guaraná, mas era outro refrigerante, estava mais repleto de icebergs do que o pólo sul. Pedi novamente um Guaraná sem gelo. O Guaraná me foi servido, mas, continuava "on the rocks". Pedi novamente um Guaraná sem gelo. Dessa vez havia sido colocado um Guaraná sem gelo, porém, diet; (a gente percebe o sabor ou a falta dele, na hora). Olhei bem para a atendente e disse: "Moça... eu apenas quero um Guaraná SEM SER DIET, e sem gelo. Eu paguei por ele. Será que é tão difícil assim me servir algo pelo qual eu paguei?" A bebida correta, na disposição e especificação solicitada, foi finalmente então colocada em minhas mãos, com o tradicional sorriso amarelo ministrado pelo treinamento de funcionários e constante no manual de operações da empresa. Por outra atendente.

- Essa foi bem recente: Numa fome do cão, ao deixar meu tio na rodoviária de Goiânia na hora do almoço, decidi comer na famosa praça de alimentação. Fui até o Habib's, mas na ocasião, não aceitava cartões. Fui até uma franquia de comida chinesa, mas também não estava aceitando cartões. Fui até um self-service, mas estava esdruxulamente caro. A moça do Giraffas me disse que havia um problema com o sistema e por isso, cartões também não podiam ser usados. Resolvi, então, ir até o famigerado McDonald's pensando: "Um big Mac não vai me matar. Vai quebrar o galho até a noite. Acho que dessa vez não vou ter problemas". Pedi por um "Número um". O atendente perguntou se o refrigerante era médio. Achei a pergunta estranha, mas assim mesmo eu disse, "é... médio", pouco me importava. Então na hora de digitar a senha do cartão de débito, constava um valor de apenas 4 reais na leitora de cartões. É sabido que um "Número um" não custa apenas 4 reais. "Acho que o valor está incorreto", disse eu, tentando evitar qualquer confusão com um valor improvável ao meu pedido. O atendente então, em tom de desafio, ladrou com raiva: "Quatro reais... é isso mesmo, são quatro reais, não é um refrigerante médio?". Foi então quando entendi: o jovem havia confundido o pedido com apenas um refrigerante médio, não faço ideia do motivo. Então, ainda com paciência eu disse: "Moço... eu pedi um número um... não é um pedido complicado". Ao mesmo tempo, a gerente - aquela fulana com o uniforme diferente do resto do bando - havia se aproximado e perguntou: "O senhor quer a promoção do Big Mac, com refrigerante e batata frita"? Fim da minha paciência. Respondi: "Não. Eu não quero mais absolutamente nada. Pode deixar. Muito obrigado". Retirei meu cartão da leitora e fui embora com fome. Pura bobagem da minha parte. Era bem provável que o sistema de cartões já estivesse funcionando nas outras franquias, mas não havia me dado conta da possibilidade naquela hora.

Eis então que comentei com um amigo minhas alguras com o tal McDonald's onde nem em casos "emergenciais" dá certo de eu conseguir comprar alguma coisa deles. Falei sobre os episódios e ele me apresentou um diagnóstico: "O McDonald's só contrata mão de obra barata. Pagam uma miséria e por isso o atendimento deles é péssimo. Não fica pensando que essas coisas só acontecem contigo não. O troço é bem mais feio do que você imagina".

"Caramba"... fiquei pensando... "mais feio que isso"?

Emprego realmente não tá fácil não chefe. Eu mesmo tenho constatado isso na pele. Mas o termo "escravo" pra mim tem outro sentido. E a julgar pela qualidade dos funcionários da tal rede, seria mais do que lógico pensar em soluções de melhoria não só do atendimento, mas também das condições de trabalho, incluindo ações para capacitação de funcionários e treinamento de verdade - princípios falsamente pregados pela empresa quando destaca, em seu site, programas de toda espécie relacionados à certificação de seus funcionários, oportunidades de primeiro emprego, etc... etc... etc... Pura balela. Tornar tudo isso uma realidade, é quase tão útopico quanto acreditar em qualquer "boa ação" por parte do governo, ou na eficácia de seus célebres programas de "desenvolvimento". Toda a polêmica vai por água abaixo quando o McDonald's aceitar o "convite" realizado pelas autoridades e levar um advogado o qual estará incumbido simplesmente de dizer que "ninguém é obrigado a trabalhar lá". Fim de papo, fica por isso mesmo, bye bye, so long, farewell.

Os comentários em prol do McDonald's na matéria da Folha.com não excedem as críticas declaradas não apenas pelo público em geral, mas também contam com depoimentos seríssimos de ex funcionários. A relevância das palavras de certos internautas é grande a ponto de me fazer seguir um conselho simples. No quadro de comentários é fácil encontrar: "Ninguém é obrigado a ir ao McDonald's. Vai quem quer".

Tem toda razão.

Eu não quero mais. De jeito nenhum.

E.Moraz.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Culto ao Amadorismo - Revisitado

Em meu último trabalho como redator publicitário em uma agência  em Brasília, me deparei com a notícia do plágio descarado por parte de um "artista" alemão conforme relatei naqueles tempos no respectivo blog da agência e no post anterior. Na sucessão de reflexões sobre o plágio, associadas à lembrança de uma entrevista com Umberto Eco, foi iminente a formalização de um tema abstrato, nada prático, mas crucial e determinante a qualquer um com a vertente criativa em alta, ou pelo menos com a vontade - e muitas vezes necessidade - de que seja assim. Certo. O processo criativo não é nada fácil. A premissa maior de que "nada se cria, tudo se copia" é reconfortante, proporciona um comodismo extasiante e é por demais aceita em todas as vertentes daquilo que curiosamente clama pelo original. É uma bizarra contradição em termos.

Mas vamos com calma. É perfeitamente aceitável que alguém com o gosto para música sem criatividade suficiente para compor canções realize covers como tributos a seus ídolos maiores e realize citações do que está colocando, no formato explícitio do tipo: "olha, não fui eu que fiz isso não, mas se eu tivesse feito, teria ficado assim" ou "essa aqui é uma tentativa de copiar algo que eu acho bacana". Pode ser podre e completamente detestável pelos pseudo-intelectualóides de plantão. Mas é completamente honesto, principalmente, se ninguém está enchendo os bolsos devido ao trabalho genuíno - e notadamente árduo - dos outros. Se "nada se cria, tudo se copia", outro maravilhoso clichê, esse em "ingrêis" também tem seu valor: "Life is entertainment". Tudo até que dá certo quando colocado em seu devido lugar.

Só que tá difícil. Uma coisa é um mané copiar descaradamente algo pronto e lança-lo como se fosse seu, mas quando a coisa envolve artistas de renome internacional ou então grandes corporações - aliás, GIGANTESCAS corporações - é de se parar para pensar e constatar duas tristes realidades:

1 - Os profissionais de criação podem estar certos de que vão poder beber na fonte de coisa feita há não sei quantos anos atrás e que ninguém ou pouca gente vai perceber;

2 - O conforto de não ter que colocar a cabeça para funcionar, aliada ao culto ao amadorismo vai se massificar a ponto de arruinar de uma vez por todas a concepção de que as coisas boas são para todos.

Tudo bem, nunca foram. Mas vão diminuir as chances de alguém conseguir de fato criar um senso crítico no qual realmente funcione como catalisador de produções com o mínimo aceitável de qualidade.

Vamos ao motivo da preocupação. Ontem ao terminar o último posting mostrei a um amigo residindo na Austrália. Além de suas considerações e elogios - nos quais agradeço de coração - ele me mostrou uma certa fotografia da cidade de New York tirada e tratada por um amigo dele. Em seguida, me mostrou uma ilustração do jogo "Infamous". Trata-se da mesma coisa. Confesso que não pesquisei profundamente sobre a produtora do jogo e não estou certo se existem versões do game para todos os consoles. Até o momento, sei de se tratar de um jogo para o Playstation III. As modificações na imagem do jogo foram poucas, daquelas que até os principiantes no Adobe Photoshop são capazes de executar, depois de algumas horas lendo livros e adquirindo dicas com os profissionais conceituados.

A confusão está armada. De um lado, o autor da foto precisa provar que o material foi originalmente concebido por ele. Além disso, não vai ser muito fácil brigar com a produtora do jogo ou até mesmo com a Sony, responsável pelo console. Como vemos, também não é muito fácil determinar a culpa, afinal de contas, do outro lado, a gigante japonesa é responsável pelo hardware e desconheço qual o teor de participação dela na criação e desenvolvimento do software específico do título citado. O game foi criado pela produtora "Sucker Punch Productions" e sua distribuição foi iniciada nos Estados Unidos e na Europa em maio de 2009. Sua sequência foi lançada em Junho de 2011 e também desconheço se o impasse se refere ao primeiro lançamento ou à sua continuação.

Confesso também não ter me aprofundado na questão a ponto de colocar no blog o material mostrado por meu amigo com a comparação da cena vista no jogo. É uma questão delicada a qual necessito - primeiramente - as devidas autorizações de quem está completamente indignado com o episódio. Assim, por enquanto, respeitarei a privacidade das pessoas envolvidas e me comprometerei em atualizar o posting caso eu tenha sinal verde para fazê-lo.

Como se não bastasse, parece que as sucessões de casos relevantes ao assunto possuem uma tendência bizarra de trazerem à tona mais episódios lamentáveis. Ao ler uma matéria sobre Angenor de Oliveira, que teria completado 103 anos no último dia 11 de Outubro se estivesse vivo, também achei outro caso de plágio. Aos que não conhecem, Angenor de Oliveira foi o nosso querido, maravilhoso e injustiçado Cartola, o homem por trás da poesia musicalizada, com o poder de conseguir pincelar de alegria suas canções, mesmo quando sua fonte de inspiração eram os prólogos de terríveis realidades sociais facílimas de serem "contempladas" a partir de quase qualquer janela de quase qualquer apartamento no Rio de Janeiro. Olhar algo bonito e escrever sobre ele com belas palavras é uma habilidade relativamente fácil de ser desenvolvida por qualquer mero mortal. Tirar verdadeiros tratados sobre a beleza a partir da desgraça coletiva e do inferno causado pelo caos social, não é para qualquer um. Mesmo. 

Impossível não citar alguma coisa de Cartola. Angenor de Oliveira só estudou até o quarto ano primário. Foi ajudante de pedreiro, lavador de carros e mesmo nunca sem ter estudado uma linha de literatura, foi capaz de escrever versos belíssimos, numa época em que a poesia na música ainda chegava a encantar as pessoas:

"Queixo-me às rosas... mas que bobagem!
As rosas não falam...
Simplesmente as rosas exalam...
O perfume que roubam de ti!!!"

Não vou me arriscar a colocar qualquer coisa referente ao que se "cria" hoje em dia a partir dos morros e favelas do Rio de Janeiro a título de comparação, mas isso não é devido a uma tentativa de minha parte de parecer erudito ou conhecedor da bela música brasileira de outrora e sim, por não ter a mínima noção de qualquer coisa relacionada aos âmbitos atuais. Graças à Deus.

Eis que então, o pobre e riquíssimo Angenor também foi plagiado. Não devido às inúmeras e maravilhosas intepretações de suas canções nas vozes de artistas consagrados de nossa terra. Mas, o mesmo país onde ocorreu o lançamento de um de seus discos - o qual nunca foi de fato lançado oficialmente no Brasil - foi responsável por escrachar uma pequena parte de sua obra. Um rapper norte-americano conhecido como "Curren$y", copiou a capa do álbum "Verde que te quero rosa", lançando-o como "Verde Terrace (Spitta Andretti) Mixtape". Veja as respectivas capas no final do post.

A neta de Cartola, Nilcemar Nogueira, tomou conhecimento do plágio no mês passado, através da União Brasileira de Compositores. Como sempre, o rapper e a gravadora não se manifestaram e, também como sempre, o impasse agora está nas mãos da justiça.

Não é muito difícil teorizar sobre o que se passa na cabeça dos “criativos” desses tais artistas quando precisam realizar algo “original”. Assim como no caso do alemão Morlockk Dilemma, responsável pela cópia da arte concebida pelo ilustrador José Luís Benício para o álbum “Amar para viver ou morrer de amor” de Erasmo Carlos, a ideia certamente é a de que são coisas antigas, esquecidas, “que ninguém conhece, ninguém nunca ouviu falar”, originalmente criadas em um lugar sem qualquer projeção de valor artístico no chamado primeiro mundo. Afinal de contas, se um norte-americano nativo foi fã de Cartola ou se um alemão conhece a obra de Erasmo Carlos, no mínimo são chamados de ouvintes incomuns. Então, qual o problema? Ninguém vai falar nada.

Mas falaram. E estão falando, como podemos perceber. A falta de respeito destes sujeitos e a total falta de compromisso com a qualidade de “artistas” como se auto proclamam, denota simplesmente a verdade do clichê sobre tudo ser copiado e nada criado, mas, ao pé da letra, sem ressalvas ou espaços para justificativas à concepção e veiculação de “arte”, quer seja para o estabelecimento de conceitos, quer seja para puro entretenimento ou qual quer que seja seu objetivo. Pessoalmente, nesses casos, penso ser difícil imaginar algo diferente dos sinal de cifrão estampado na denominação do rapper norte-americano estendido ao senhor “Dilemma”, apesar de não haver referência gráfica explícita à valores monetários em seu nome.

E o que tem o culto ao amadorismo a ver com tais episódios? Tudo. Simplesmente pelo fato desses caras fazerem sucesso com gente acreditando em alguma genuinidade aplicada aos respectivos trabalhos. Samples de músicas prontas são particularmente interessantes quando coladas de maneira sistemática. Demonstram alguma criatividade pelos operadores de computador, pick-ups, laptops, sintetizadores, samplers e toda a parafernália correspondente, mesmo de forma incipiente. Aí sim cabe alguma coisa relacionada às limitações do “nada se cria, tudo se copia”. Mas é uma grande pena tais “artistas” não conseguirem delinear até onde a flexibilidade da tal premissa é de fato permissiva.

Perdoai-vos senhor Angenor. Eles não sabem, nunca souberam e jamais saberão fazer alguma coisa que realmente preste.

E.Moraz.

Capa do álbum "Verde que te quero Rosa".
Cartola, 1977.






 
         






Capa do álbum "Verde Terrace".
Curren$y, 2011.

O Culto ao Amadorismo

Na época do "boom" da internet no Brasil, em meados da década de 90, li uma entrevista muito interessante com Umberto Eco. Além de outros nobres ofícios, Eco é um escritor e filósofo de renome internacional. Não era necessário nenhum prévio conhecimento de suas obras ou qualquer leitura preparatória de um de seus ensaios para a compreensão do conteúdo da entrevista. Eco estava respondendo perguntas sobre a internet e dissertando sobre suas antevisões sobre seus impactos. Para a sorte dos leitores mais desavisados como eu, o nobre intelectual fez uso de  uma linguagem suscinta, extremamente objetiva e por vezes, divertida.

A questão mais relevante sobre as considerações de Eco, foi sobre o que é certo e o que é errado na internet, porém não se tratava de nenhum julgamento moral à cerca de conteúdos pornográficos, baixarias, nada disso. Num raciocínio simplificado, quando o repórter fez menções aos benefícios da rede, o intelectual foi precavido e expôs seu pensamento de forma bem prática: imagine um garoto sem qualquer conhecimento sobre um determinado assunto a procura de referências em sites de busca. Certamente vai se deparar com centenas, milhares e talvez até mesmo milhões de resultados. Em primeira impressão, ótimo. Mas o que realmente está correto nas tópicos? Por onde começar? Quais são realmente as referências de cunho didático as quais podem ser verdadeiramente aproveitadas para um trabalho escolar ou qualquer outra modalidade de uma pesquisa séria? Há tempo suficiente para estabelecer comparações entre as diversas opções de respostas para uma racionalização do que pode ser realmente aproveitado? Geralmente, não.

É conveniente ressaltar a época da entrevista. Ainda não havia a Wikipedia, não havia o YouTube, não havia praticamente nada da web tal como a conhecemos hoje.

O tempo passou e as referências cresceram. Sobre tudo. Sobre todos. E também surgiu o amadorismo, a coisa de pessoas colocaram o que quiserem, quando quiserem, da forma que desejarem. Maravilha. Mas é justamente aí onde às vezes mora o perigo.

Exemplo fácil de entender: quando a Wikipedia surgiu, qualquer um poderia postar conteúdos e em essência ainda é assim, embora atualmente existam alguns critérios mais rígidos para a inserção de informações. Mesmo assim, a revista "VEJA" realizou um teste: propositalmente, modificou o nome do então presidente do Brasil, o senhor Luís Inácio Lula da Silva, na ocasião de seu primeiro mandato. O erro foi deixado em um tópico sobre a biografia do então presidente e por várias semanas, nada foi feito. Nenhuma correção.

É claro que uma das coisas boas da rede é a possibilidade de qualquer pessoa mostrar seus talentos. Profissionais, artistas, enfim, qualquer um. Mas tudo isso funciona muito bem apenas quando o espectador possui algum senso crítico consolidado e o que ocorre hoje em dia, é a formação - completamente inapropriada - de tal senso a partir dos primeiros contatos com a web, os quais ocorrem imediatamente após ou até mesmo antes da apropriada alfabetização do indivíduo.

Antigamente, e aqui não se trata de nostalgia barata, mas sim apenas uma ilustração do ponto abordado por Eco, as publicações especializadas eram como tratados sagrados. Se alguém precisasse realizar uma pesquisa, ia a uma biblioteca ou à empoeirada estante de livros consultar a Mirador, a Barsa, a famosa Enciclopédia Britannica e outras tantas. Havia a mais absoluta convicção de acuidade total e indiscutível dos dados encontrados. Na época era assim: "Está na Barsa! Se está na Barsa, então está certo!". Evidentemente isso serviu - e ainda serve - para dados estáticos. Afinal de contas, a área continental em quilômetros quadrados do Brasil ou de qualquer outro lugar é de um tamanho só. Isso não vai mudar de forma alguma, pelo menos, enquanto ainda houver vida "inteligente" no planeta...

A Wiki é bem intencionada e evidentemente possui a dinâmica de modificação de conteúdo a qual jamais seria possível em uma enciclopédia tradicional - quando há alguém para atualizá-la em tempo hábil. Muito do que está lá realmente procede. Mas a maioria do conteúdo da internet orientado à propósitos acadêmicos atualmente precisa, querendo ou não, passar por um crivo. O problema, é que tal crivo não existe. A sua ausência se deve não devido ao fato de sua criação ser impossível. De fato, ele poderia ser implementado com relativa facilidade, a partir de um dos mecanismos educacionais mais antigos da humanidade: a escola. Assim como as enciclopédias, a escola deveria ser o bastião maior de conhecimento a partir do abastecimento de conteúdo, por parte de professores, a partir de fontes realmente seguras. Os dados de uma enciclopédia "real", são produzidos através de extensas pesquisas formalizadas por especialistas de praticamente todas as áreas e isso significa um crivo rigorosíssimo para só então uma informação ser divulgada. Assim, tem-se a certeza de que um determinado verbete é seguramente correto e assim pode ser divulgado com a mais absoluta segurança.

Infelizmente, temos o caminho inverso. A grande maioria dos professores se baseia nas informações encontradas em fontes duvidosas na internet para então executar a elaboração de seus planos de aula. É mais prático, é mais rápido, é mais objetivo e até mesmo mais divertido. Mas não é, de maneira alguma, confiável como deveria ser. Evidentemente, considero aqui o processo educativo "fast food", onde não há qualquer preocupação ideológica por parte dos mestres em analisar, discutir e comparar as informações encontradas na rede com o conhecimento adquirido através da formação acadêmica a qual proporcionou as apropriadas habilitações para a transmissão de conhecimentos. Convenhamos: não é assim que se processa na prática? Uma faculdade renomada é uma coisa. Uma escola pública de primeiro grau na área rural no interior do país é, lamentavelmente, outra. E sem maldade nenhuma, até mesmo as grandes e famosas universidades brasileiras caem em tentação aos processos mais... "ágeis" de formação de conteúdo para o corpo discente. Como em todos os segmentos, temos bons e péssimos profissionais. Também devemos relevar o fato de que a educação no Brasil nunca foi uma prioridade. E é bem difícil de acreditar que um dia poderá ser.

As referências creditadas a especialistas, como no caso de ensaios e reportagens devidamente assinadas, possuem o benefício da precisão de seus conteúdos. Resta ao internauta saber não só o que procurar mas como executar sua pesquisa. A famosa bibliografia, divulgada pelos professores para a realização de trabalhos, é imprescindível. Do contrário temos uma horda de alunos inocentemente convencidos sobre a certeza de estarem lançando mão de conhecimentos precisos, os quais são, na verdade, apenas suposições ou relatos de impressões daqueles com a crença de que dominam um determinado assunto em profusão. Isso funciona perfeitamente até certo ponto. Porém, na hora do vestibular ou de um concurso público, a surpresa pode ser bem desagradável.

Por outro lado, o culto ao amadorismo, embora seja defendido pela maioria dos intelectuais como algo extremamente nocivo em todas as áreas, tem lá seus pontos positivos quando aplicado ao entretenimento e no reconhecimento de determinados talentos. Se um vídeo no YouTube mostra um artista ou banda realizando um "cover" de uma canção consagrada, ponto para os autores do vídeo. Mas assim como nas questões acadêmicas, há de se ter o bom senso de perceber o valor da criação original e sua respectiva autoria. Há também o perigo, cada vez mais constante, de algo ser reconhecido como original quando não passa de uma peça requentada, divulgada sem escrúpulo nenhum, a partir de uma criação original realizada há muito tempo, mas fora do conhecimento prévio do internauta. Em palavras simples, alguém lança na web um arquivo de vídeo, de áudio, uma imagem, ou seja lá o que for de um trabalho originalmente realizado na década de 60 por um artista obscuro e se autoproclama o autor do material. Para quem acha que isso é difícil de acontecer, os exemplos são claros e envolvem até mesmo artistas brasileiros. Recentemente, um artista alemão copiou, descaradamente, a capa de um disco do Erasmo Carlos, lançado na década de 80. O episódio rendeu ações legais e confesso não saber o desfecho. Em todo caso, o plágio foi simplesmente de lascar e com a mais absoluta certeza, uma grande surpresa para aqueles com disposição de levantar a injusta bandeira de que "só brasileiro copia o que é feito lá fora". Veja a comparação das capas dos respectivos albuns no final do posting.

As dicas são simples: o amadorismo existe, está em alta e tem seu valor. Porém, o profissionalismo ainda é o ponto culminante a ser observado, em referêcias à qualquer segmento. Ao se deparar com uma determinada informação na web, a qual não se tem qualquer conhecimento prévio, é extremamente recomendável analisar, criticar, questionar, debater, comparar, discutir e obter um veredito no qual certamente vai denotar se o assunto pesquisado é realmente algo útil, ou se não passa de mais uma balela colocada só Deus sabe por quem e que certamente não tinha algo melhor para fazer no momento.

Há desocupados demais na web. E nem todos são bem intencionados...

E.Moraz.


Capa do álbum "Amar Pra Viver ou Morrer de Amor". Erasmo Carlos, 1982. Criação do ilustrador José Luiz Benício.














Capa do álbum "Circus Maximus".
Artista alemão Morlockk Dilemma,
Fevereiro de 2011.




Corrupção: Parte do DNA dos Brasileiros

Em Brasília, a marcha anticorrupção reuniu cerca de 20 mil manifestantes no dia 12, quarta-feira. Em São Paulo, é provável que o aglomerado tenha sido menor, mas a reunião deu-se pela mesma causa. Louvável. Realmente louvável.

Mas não é fácil articular sobre o assunto. Todo mundo já sabe tudo sobre os estereótipos à cerca dos políticos e das autoridades. É extremamente penoso lembrarmos dos últimos acontecimentos, não só na política, mas nas questões relevantes à segurança pública. Como todos nós sabemos, recentemente, a polícia militar do Rio de Janeiro literalmente fuzilou uma juíza de direito.

Pessoalmente, acho desnecessário ressaltar os pontos mórbidos dos intermináveis catálogos de atrocidades cometidas não apenas por aquela corporação, mas também por todos os outros mecanismos os quais possuem como ferramenta de ação, qualquer indício de poder de autoridade sobre a população. Não interessa quais são os objetivos e diretrizes. Alguma coisa sempre sai errada. Sempre. Algumas consequências, na maioria das vezes são aquelas as quais todos nós já estamos acostumados: leis absurdas, não cumprimento das leis - quando não são absurdas - e por aí vai. Em outras vezes, as ocorrências denotam sentimentos irremediáveis de terror. E é exatamente isso o que vivemos atualmente: dias de terror.

Como se não bastasse, nada disso é, de fato, o pior. Evidentemente nada do que seja colocado aqui ou em qualquer outro lugar pode se igualar ao sofrimento das pessoas vítimas da corrupção em qualquer nível, mas em uma reflexão simples, porém muitas vezes deixada de lado, não é exagero dizer sobre a corrupção se encontrar estampada no DNA do cidadão brasileiro.

Não. Não se trata de apontar culpados. É muito fácil criticar você, eu, ou quem quer que seja sobre o famosíssimo "jeitinho brasileio" e mais fácil ainda é proferir qualquer palavra sobre qualquer pessoa estar errada devido a seus atos terem alguma conexão com qualquer ação corrupta. Isso exigiria um verdadeiro e profundo tratado antropológico, diferentemente daqueles que falam, falam, continuam falando e não dizem absolutamente nada - vide aquela cópia perdida nos calhamaços de papéis da sua faculdade sobre alguns nomes famosos cultuados por seu professor de sociologia. Teria de ser uma bela e respeitosa resenha de respostas, daquelas que, como eu e você sabemos, jamais aparecerão. Desde já, não tenho intenção de culpar ninguém.

Nos resta então discorrer, apenas, o que for possível sobre alguns fatos. Assim, lá vai mais uma estória da carochinha vivenciada por este que vos digita.

Fui comprar um carro. Meu pai estava no hospital em estado grave, em outra cidade. Achei um tempo livre para realizar a compra. Na verdade ela já estava praticamente consolidada e fui até a concessionária buscá-lo. Esperava fazer isso o mais rápido possível para poder voltar para o hospital onde meu pai estava internado, há 200 Kms de distância. Infelizmente, os préstimos oferecidos pelos serviços de saúde do tal município não eram condizentes com o padrão do comércio local em referência à veículos automotores, daí, a justificativa da distância a qual nos separava.

O que era para ser uma operação simples, se complicou um bocado devido a um suposto problema com o Detran. Devido a uma "falha de sistema", o departamento de despacho de documentos da concessionária não podia me liberar os papéis necessários, aqueles que quando estão em dia garantem ao motorista o curioso fenômeno de jamais ser parado em nenhuma blitz de qualquer espécie; (isso só acontece quando são esquecidos, quando a CNH está vencida, ou o IPVA não foi pago). O tempo foi passando e nada do "sistema" voltar. Foi quando a consultora de vendas - sem qualquer maquiagem em suas palavras - disse ser possível resolver o caso com 30 reais. Essa foi a quantia necessária para o sistema voltar a funcionar.

Paguei os tais 30 reais. O tal sistema milagrosamente voltou, meus documentos foram gerados e eu saí com o carro da concessionária, após mais de uma hora de espera. Sem combustível suficiente, diga-se de passagem, para chegar até o posto, distante uns 100 metros de onde o carro saiu. Mas essa é outra estória...

Fiquei pensando... Meu Deus, eu sou um corrupto. Sou adepto do "jeitinho brasileiro", da "Lei de Gérson" ou algo similar. Após resolver o problema do combustível, dirigi os 200 Kms pensando no episódio. "Logo eu, paranóico com contas, absolutamente dentro da lei, pagador de impostos... bem... não sou tão bonzinho assim... afinal eu compro DVDs e CDs piratas e baixo toneladas de gigabytes na internet... Caramba!!!! Sou mesmo um corrupto".

Quando comentei com um amigo sobre isso, ele me disse: "Você não prejudicou ninguém. Fez o que é certo. Afinal de contas, você estava com pressa por uma causa justa e resolveu a coisa toda da melhor forma possível". Será mesmo? Durante um bom tempo fiquei pensando sobre as alternativas. O que eu poderia fazer? Exigir aos gritos que o tal "sistema" voltasse a funcionar? Desistir de pegar o carro e voltar ao hospital de ônibus? Voltar outro dia?

Mas a coisa é mais embaixo. Duvido que alguém tenha tantas reflexões quando "pequenos delitos" são cometidos. Afinal de contas, quem se importa de fato com qualquer coisa relativa à escrúpulos quando está baixando conteúdo não gratuito da internet ou comprando discos de vendedores nas portas dos bares e restaurantes? É justamente aí quando penso que as palavras do meu amigo são um tanto quanto dúbias se forem aplicadas em diferentes situações, mas com a essência comum ao caso do carro e o tal "sistema" do Detran. Porém, em outra vertente da situação, se qualquer pessoa não age conforme manda o figurino - e aqui o tal figurino é relevante ao realizar ações de acordo com o "jeitinho" - ela não passa de um mané. Se eu dissesse a alguém que jamais teria dado os 30 reais e tivesse esperado que as coisas se resolvessem do jeito "certo", eu seria, sem sombra de dúvida, tachado de mané, burro, idiota ou sei lá o que.

Não é fácil. Realmente não é fácil agir conforme manda o figurino - dessa vez, o figurino "de verdade". Fica bem difícil pensar sobre a corrupção não estar impregnada no DNA do cidadão brasileiro. No imaginário popular, é aquilo que conhecemos: "Malandro é malandro e mané e mané". Os impostos pagos por minha pessoa não garantem a permanência do meu carro em certas ruas de SP, RJ, BH ou qualquer outra megalópole decadente brasileña. Para deixá-lo lá, dependendo da boa vontade do "guardador de carros", também conhecido como "flanelinha", eu tenho de desembolsar 100 reais no mínimo. E pode crer... tem muito tempo que não vejo uma nota daquelas e nem um par de oncinhas. Quando muito, apenas um exemplar do tão belo felino. E só.

Tudo bem. Certas coisas no imaginário popular são caracterizadas realmente como "pequenos delitos", "coisa que todo mundo faz". Pagar 30 reais para obter documentos apenas para agilizar uma operação de compra, não é a mesma coisa de burlar a Receita Federal sonegando impostos ou então ver alguém deixando cair uma cédula do bolso e deixar o desavisado transeunte sem seu dinheiro após rapidamente esconder a importância com o pé e depois colocá-la no bolso, sorrateiramente. Mas ficam dúvidas. Enquanto meu pai estava internado, minha ansiedade para voltar ao hospital era grande e eu estava disposto, no momento, a fazer quase qualquer coisa para sair da concessionária o mais rápido possível. Mas é fácil imaginarmos na possibilidade de alguém agir como um verdadeiro gatuno quando as circunstâncias são "favoráveis".

Agora, invariavelmente, vem a sucessão de SEs:

SE eu estivesse sem dinheiro algum, SE tivesse de me deslocar rapidamente, SE a suposta ocorrência de alguém deixar dinheiro cair no chão de fato se consolidasse e SE minha urgência de fato urgisse, o que eu faria? Não. Eu não teria coragem de roubar o dinheiro de alguém, mesmo que a tal pessoa não tivesse nenhuma noção do que teria acontecido com seu dinheiro ao deixá-lo cair no chão. Mas não posso garantir qualquer coisa sobre o meu semelhante, em tais circunstâncias. Ah sim, sim... SE as circunstâncias fossem muito piores, aí também eu não poderia garantir nem mesmo minhas próprias atitudes.

Complexo. "Os fins justificam os meios", como já dizia Nicolau Maquiavel - personalidade a quem sua primeira alcunha coincidentemente foi também a de meu pai, já falecido. Ficam então as reflexões duvidosas do que realmente é prejudicial para a minha própria pessoa, para a coletividade, ou se minhas ações de fato não estão fazendo nenhuma maldade. Bem difícil determinar as correlações de atitudes corriqueiras com fatores prejudiciais.

Afinal de contas, quem vai de fato convencer garotos de que comprar jogos piratas de videogame é algo extremamente prejudicial para a sociedade, ou dizer aos flanelinhas que eles não são donos das ruas e não preciso pagar a eles pois já pago impostos demais?

A corrupção está no DNA dos brasileiros.
Resta saber, até onde podemos ou devemos ser corruptos. Espero eu nunca ter de chegar a extremos.

E.Moraz.