segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Jon Anderson - Acústico. Bolshoi Pub - Goiânia 10 Dez 2011

A cidade: Goiânia - GO, Brasil.
O evento: Jon Anderson - Acústico.
A data: Sábado, 10 de Dezembro de 2011.
O lugar: Bolshoi Pub.


Noite úmida, não necessariamente fria.

Convenhamos... frio por essas paragens, só mesmo se houver algo de muito errado com o clima. Dizem que a poluição ainda vai virar tudo do avesso, mas acho que ainda não chegamos lá. Ainda.

Não havia a costumeira sensação de estar constantemente enfiado dentro de uma sauna sêca. Algumas pessoas até arriscariam - como de fato arriscaram - usar uma jaqueta leve. Em suma: clima perfeito.

A noite, ou parte dela, prometia ser boa. Jon Anderson, o vocalista e front man do lendário super grupo "Yes" estava na cidade para uma apresentação solo no Bolshoi Pub.

Antes de qualquer consideração sobre a apresentação, justiça seja feita: a direção do Bolshoi Pub não só oferece atrações musicais internacionais maravilhosas, como também consegue manter a verve da boa música em excelentes condições. Para quem verdadeiramente odeia música sertaneja, axé e variantes, o Bolshoi Pub é muito mais do que um verdadeiro oasis. Deliciar-se com a voz de Anderson saboreando uma autêntica Guiness ou qualquer outro néctar do vasto e variado cardápio de opções de verdadeiras preciosidades importadas... Santo Cristo, há mesmo necessidade de dizer mais alguma coisa sobre o lugar?

Há sim. Invariavelmente.

O Bolshoi Pub é um lugar para shows internacionais intimistas. Não se trata de uma característica essencialmente inovadora em algumas partes do Brasil e em tantas outras partes do mundo, mas em Goiânia isso é motivo para orgulho sim. E se a diretoria do lugar pode se enaltecer quanto à seus esforços para manter a categoria de uma casa de shows de classe, é certo de que seu público tem por verdadeira obrigação reconhecer tal valor.

Este que vos digita sabe muito bem como são as mazelas da organização e da logística para eventos de shows de bandas ou artistas solo. Mas nem sequer faz ideia de como devem ser as complicações para a realização de um evento envolvendo artistas internacionais. Mais um ponto para o pub.

A casa não estava lotada. Afinal de contas, a "Nashville Brasileira" - como certos incautos dizem por aí - não conta com público suficiente para lotar um estádio inteiro quando se fala de música de verdade. Trata-se de um fenômeno mundial deveras interessante: quanto pior o artista e sua respectiva apresentação, maior número de seguidores ele terá.

Quem se importa? Que assim seja. O benefício, nesse caso em específico e de tantos outros, é um maior teor de conforto obtido em um lugar especialmente concebido para se manter longe - bem longe - esse tipo de gente e seus respectivos ídolos.

Que fiquem em seus estádios e arenas. E que tenham bom proveito.

Era pouco mais de meia noite quando Anderson entrou no palco. Disse "Olá", e ao começar a dedilhar seu violão não deixou os ardorosos fãs do "Yes" decepcionados. Estava tudo lá, conforme era previsível: "I've Seen all Good People/Your Move", "Roundabout", "Owner of a Lonely Heart", "Soon", "Starship Trooper" e até mesmo algumas partes da antológica "Close to The Edge". Os clássicos provocaram arrepios. E também trouxeram as lembranças de épocas em que a música ainda era feita por músicos de verdade.

Anderson é comunicativo, bricalhão e parecia estar completamente à vontade com o pequeno público da casa, apesar de ter feito menção especial ao primeiro Rock in Rio, quando o "Yes" se apresentou para um público o qual, segundo as palavras do front man da banda foi "a experiência mais incrível" de sua vida.

Alternou os instrumentos de cordas com um belíssimo piano de cauda, mas sem pirotecnias. Não haviam sintetizadores, não haviam drum boxes, não haviam computadores e muito menos samplers para tentar disfarçar qualquer ocasional falha em seus maravilhosos vocais. Não havia a mínima necessidade de nada disso.

Os fãs do "Yes" e consequentemente dos trabalhos solo do artista  conhecem suas limitações quanto à instrumentos musicais e algumas pessoas até se surpreenderam com o fato dele saber tocar violão e arriscar algumas notas no piano.

Sim, eu confesso: ficou uma pontinha de desejo de ver e ouvir o virtuosismo de Steve Howe em peças como "The Clap" ou "Mood for a Day".

Mas nada disso teve força suficiente para encobrir o brilho da voz de Anderson e todo o requinte proporcionado por suas versões acústicas. Elas soaram leves, fluídas, muito mais alusivas à suavidade contemplativa do rock progressivo do que várias peças em que apenas o virtuosismo é o carro chefe da execução em várias canções do mesmo gênero.

Não é para menos. Toda composição praticamente começa a partir da mais simples das fórmulas: uma ideia na cabeça e um bom violão.

Curioso lembrar a influência da voz de Anderson na cena musical dos anos 70, quando até mesmo as rádios AM do Rio de Janeiro e São Paulo tocavam o gênero em suas respectivas programações diárias.

Mas engana-se quem pensa ter se tratado apenas de nostalgia. Havia gente de 18 a 60 anos de idade. Quem conhecia, se deliciou. Quem não fazia ideia do que ia ouvir, está exatamente agora procurando arquivos relevantes na internet ou remexendo as velhas e empoeiradas estantes de vinis dos pais ou dos irmãos mais velhos.

Há um belo clichê quanto à força do gênero e suas subdivisões, perfeito para ilustrar tais cenas. Alguém um dia disse: "Tudo passa, mas só o rock é eterno".

Além de suas características biológicas notórias quanto à sua belíssima voz - quando ele fala, temos a impressão de ser a voz de um menino - deve haver algum outro segredo muito bem guardado quanto à sua disposição e longevidade. Afinal de contas, Jon Anderson tem 67 anos.

Quantos artistas com quase 70 anos de idade com a mesma disposição para alcançar agudos não falsetados em canções de tonalidade altíssima nós podemos citar?

Também não nos esqueçamos do fato de artistas de rock serem pessoas as quais não costumavam ter hábitos muito saudáveis durante as fases da contracultura, da liberação sexual, e do proeminente uso de "substâncias catalisadoras" da verve criativa. Seja lá como deve ter sido, ou, como ainda deve ser, a voz de Anderson continua a mesma: cheia, melodiosa, angelical.

Ao conversar com o público, não foi difícil de ouvir exclamações como: "Meu Deus, ele realmente não força para cantar" ou "Nossa, ele realmente não usa falsete"!

Muita gente especula sobre a disposição solo atual do artista. Alguns dizem ter havido uma briga feia entre Anderson e os demais integrantes, quando ele teve de se ausentar devido à problemas de saúde - em específico sua garganta. Devido ao prazo demasiadamente longo para sua recuperação, o restante do "Yes" resolveu colocar outro vocalista, mais jovem e com "poder de fogo" equiparável ao vocalista original. A tese é reforçada pelo argumento de que Anderson havia deixado o grupo no meio de uma turnê, o que supostamente teria alimentado algum rancor entre os integrantes, mesmo sendo uma espécie de emergência médica.

Discutível. Na verdade é um tema interessante a ser debatido pelos fãs mais ardorosos, com disposição para garimpar informações oficiais sobre o caso. Por isso, deixo para alguém mais esperto do que eu a tarefa.

É engraçado falar sobre idade. É bem provável que, se eu fosse mais jovem, todo o set list da apresentação, em sua ordem de execução estivesse resenhada em detalhes nesse post, bem como também incluiria algumas referências sobre os reais motivos de Anderson ter visitado o Brasil sem o "Yes".

Mas quando se chega a determinados algarismos a partir da data de nascimento, tudo o que importa é saber se a apresentação valeu a pena. O resto de pouco importa.

A noite, ou parte dela, prometia ser boa. E de fato algumas horas dela foram maravilhosas.

Pena todo o deleite não ter durado até a manhã seguinte.

Confira a galeria de imagens do show no site do Bolshoi Pub:


E.Moraz

sábado, 3 de dezembro de 2011

Soundesigning por Diego Stocco: "Bassoforte"

É invariável. Quando se fala em soundesigning a gente logo associa o termo a sintetizadores de todo tipo e qualidade, samplers, computadores e seus DAWs, interfaces MIDI, microfones dinâmicos, cardióides, "booms"... e uma infinidade de outras tralhas.

Nem sempre a gente se lembra do aspecto artesanal da produção de sons. Colocar bons microfones para captar uma baqueta de bateria massacrando um balão ou uma mesa de vidro e processar o sinal no sampler é uma coisa. Criar um instrumento a partir de velharias achadas por aí é outra completamente diferente. Objetivo? Arrancar excelentes sons de "tralhas" esquecidas, que ninguém quer mais.

Claro, isso não é coisa nova. Naná Vasconcelos faz isso o tempo todo. Na verdade ele até parou de contar quantos "troços" de percussão ele tem em seu depósito, depois de ter chegado a guardar mais de 100 quilos de objetos que produzem barulhos. Nas mãos do gênio, praticamente qualquer coisa em que se possa bater, vira música. E música boa.

Recentemente, um sound designer Italiano, chamado Diego Stocco, considerou a possibilidade de produzir um instrumento completo a partir de peças esquecidas em sua casa e em terrenos baldios por aí afora. O resultado foi mesmo surpreendente, mesmo para quem tem um know-how impecável na produção de sons e um currículo altamente respeitável. Seus trabalhos incluem processos de sound designing e sound scoring para trailers de filmes como "Terminator: Salvation", "2012", sonorização da games famosos como a série "Call of Duty" e participações em seriados como "Dexter" e outros.

Confira a criação de Stocco, batizada de "Bassoforte":


Também vale a pena dar uma boa olhada no site do artista:

http://diegostocco.com/

E.Moraz.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"1984" de Orwell é Agora: "Carrier IQ" e a Espionagem de Massa

Na verdade tem sido tem tempo. Não desde 1984 literalmente, mas de modo prático, eu diria sobre a coisa toda ter tomado uma dimensão verdadeiramente dramática quando apareceu o Windows ME, um dos primeiros "Big Brothers" de verdade, assemelhando-se com o onipresente personagem de Orwell em seu célebre romance "1984". Tudo por culpa de uma certa porta 5000...

A coisa toda avançou. Como se não bastasse o monitoramento a dados em computadores ligados à internet, os celulares atuais, que sempre foram alvos primários dos sistemas de vigilância, parecem ser agora os principais agentes state-of-the-art, funcionando como os verdadeiros "olhos grandes" do onipresente personagem de Orwell.

Julian Assange, o polêmico mentor da Wikileaks, disse, em uma entrevista coletiva e reproduzido no Gizmodo o seguinte:

"A verdade é que empresas de inteligência estão vendendo, exatamente agora, para países ao redor do mundo, sistemas de vigilância massivaa para iPhones, Blackberries e para o Gmail".
E completou: "Estamos ferrados".

As afirmações de Assange parecem ganhar um delineamento preocupante quando associadas às notícias sobre o "Carrier IQ", um software de vigilância presente nos dispositivos móveis e segundo a Bloomberg, uma agência reguladora alemã convocou a Apple para se justificar quanto à presença do software no desejado iOS, o sistema operacional dos iPhones, iPod Touchs e iPads.

O caso é mais sério com a HTC. Segundo o pesquisador Trevor Eckhart, o "Carrier IQ" veio incorporado ao seu aparelho, funcionando com o sistema Android. Ao que parece, a HTC tentou "calar a boca" do pesquisador. Em vão.

Eckart divulgou no YouTube um vídeo de 17 minutos onde o software registrou mensagens recebidas, teclas pressionadas e demais ações executadas no aparelho. Tudo isso, sem qualquer aviso ao portador do telefone.
Ao que parece, o "Carrier IQ" está presente em mais de 140 milhões de aparelhos, segundo artigo publicado na Linux.org.

Os usuários do Android contam com um aplicativo denominado "LoggingTestApp", criado por Eckart para verificação quanto à execução do "CarrierIQ" em seus aparelhos. A versão "Pro" do utilitário do pesquisador, permite a remoção do software.

Vale a pena conhecer os detalhes da estória no artigo publicado na BR-Linux.org.

Confira a seguir um dos vídeos divulgados por Eckart. Veja também o artigo em: