terça-feira, 27 de novembro de 2012

Caldas Country: Excelente Retrato da Educação Merrecolandesa.

Para quem não conhece, Caldas Novas é uma cidade do interior de Goiás. As principais atrações do lugar, são as piscinas de água quente espalhadas por hotéis de diferentes preços e categorias. Alguns indivíduos chamam o lugar de “Las Vegas Brasileira”. Bem, eu nunca fui à Las Vegas, mas posso lhe dizer uma coisa com a mais perfeita convicção dessa vida: ao invés de dizer que não tem nada a ver com a cidade original, é bom lembrar da palavra “Brasileira”; (com “B” maiúsculo) no meio da alcunha. É mais ou menos como o desenho da Liga da Justiça quando tinha o Superman bizarro, aquele todo ao contrário e que vivia em um mundo idem. Mesma coisa, ou seja, tem a ver. Só que ao contrário.

Por sua vez o Caldas Country é o Caldas Country. O nome já diz tudo. Há uma enorme possibilidade desse negócio aí não ter nada a ver com você e por isso, é bem capaz que um grande ponto de interrogação tenha se formado em sua cabeça, certo?


Bem, vamos lá. Temos a devida apresentação sobre o lugar e um pouco sobre o evento. Para uma melhor interação sobre o ocorrido e o motivo de escrever isso aqui, eu recomendo a leitura da seguinte matéria, publicada no “Diário da Manhã”, um jornal aqui de Goiás.


Link:

http://www.dmdigital.com.br/novo/#!/view?e=20121120&p=6


Pois é. Como diria a Sandra não sei das quantas lá do “Jornal Hoje”: - “Que deselegante, né?” Na verdade, é muito mais do que isso. É lamentável e pessoalmente, posso dizer que isso tudo me dá um profundo sentimento de tristeza.

A matéria no DM não coloca o Caldas Country explicitamente como o culpado do que aconteceu no lugar, embora as associações são óbvias. Não há como fugir delas. Se o lugar está “quieto” e de repente uma horda de gente aparece para um determinado evento, numa quantidade muito maior do que a cidade pode suportar, então naturalmente boa coisa não vai sair. Em todo caso, devemos lembrar que Caldas Novas é sim um lugar pequeno e não é, nem de longe, a primeira vez que sofre com esse tipo de ocorrência. Tudo bem, a selvageria dessa vez não tenha nenhum precedente, talvez. Mesmo assim, é insuficiente – ao menos no meu humilde ponto de vista – culpar única e exclusivamente o tal do Caldas Country.


O evento é poderoso. Sua campanha publicitária atinge em cheio seu público e ela tem a capacidade de atrai-lo tal qual bosta atrai mosca. Não é mérito das campanhas em si, visto que a maioria da população gosta desse tipo de coisa. Então, qualquer burburinho sobre o assunto já está perfeito para os organizadores consolidarem a certeza de que vão ganhar oceanos de dinheiro. E ganham. Ô como ganham. E fica a dica para eles: no próximo ano, não há nem necessidade de investir tanto em publicidade não, tá? Podem economizar nisso numa boa, apesar do rabo preso que vocês já tem com as tais agências. As moscas já conhecem o caminho direitinho e não vão deixar de ir nem que a Lua caia do céu e se espatife na Terra. Podem ter a mais absoluta certeza: deixem as agências pra lá. Elas só querem sugar grana de vocês. Chamem aquele moleque de 15 anos que mexe mais ou menos no CorelDRAW. Fica tudo certo. E muito mais barato.


Como eu ia dizendo, Caldas é um lugar pequeno. Apesar da quantidade de hotéis, pousadas e clubes, não comporta aglomerações gigantescas. Não é raro a cidade entrar em colapso durante o carnaval. É bem comum já no segundo dia de festa, faltar de tudo. A cidade fica sem combustível nos postos, sem comida nos bares, restaurantes, supermercados e mercearias. Falta água em todas as torneiras do lugar. Lógico que, se você tiver a sorte de encontrar uma garrafa de água mineral à venda; (nem só de bebidas alcoólicas vive o homem), ela custará uma pequena fortuna. Os serviços essenciais simplesmente não funcionam, e a pouca polícia que resta, recebe ordens específicas de agredir quem quer seja, a qualquer momento, com ou sem motivo, para colocar “ordem” ou por simples prazer sádico – característica inerente a tais “profissionais”.


Convenhamos: se isso tudo é comum naquele lugar, então não é de se surpreender com o que aconteceu no feriado do dia 15 de Novembro, certo? Afinal de contas, não é a primeira vez que morre gente em Caldas Novas por causa de uma festa, não é mesmo?


Esse tipo de raciocínio simplista é o resultado da “soma de todos os medos” sobre o que vem acontecendo com a nossa sociedade, mais especificamente dentro de uma certa faixa etária. Antes em Caldas Novas tínhamos bêbados vomitando nas ruas em época de grandes eventos. Também tínhamos a falta de tudo na cidade, e pessoas fazendo suas necessidades (incluindo o número dois) no meio da rua. Agora tudo sofreu um baita upgrade. Além das ocorrências “clássicas” citadas mais acima, temos também balas de armas de fogo; (ou projéteis, como a nossa amada e fofa polícia e seus sádicos integrantes gostam de chamar) voando sem destino certo, pessoas dançando em cima de carros semidestruídos, incêndios deliberados, compra, venda e consumo de drogas de todo tipo e espécie in loco na frente de qualquer um e, claro, no mais fiel estilo das Cracolândias de nossas cidades. Tudo isso, com uma naturalidade de fazer inveja a qualquer “mano” lá de um dos morros do Rio de Janeiro ou de qualquer favela de São Paulo; (sim... São Paulo e mais uma porção de cidades da Merrecolândia também tem favela para todo lado, viu bebê? Né só em morro que tem favela não, tá?).


Dá no que pensar. E não só no fato de que tudo isso é reflexo da falta de educação geral do povo. Me lembro do final dos anos 70, quando “cabeludo” era “maconheiro” e gente de péssima influência. Me lembro também das aglomerações de um monte de moleques – eu incluído – todos vestidos de camisetas pretas com estampas de bandas de rock dentro e fora de bares de quinta categoria. Me lembro do mesmo povo sentado nos bancos das praças tocando violão e “fazendo soca” depois da aula. Também me lembro de como mais de 3 indivíduos do mesmo estereótipo, quando reunidos em qualquer lugar, serem isca para qualquer policial chegar e dar um baculejo. Mas não consigo me lembrar – uma só vez sequer – de ter havido qualquer coisa minimamente parecida com o que aconteceu em Caldas Novas. O mais interessante, é que toquei e cantei por mais de 8 anos da minha vida em diferentes cidades de GO e MG, justamente para o público formado por “cabeludos” / “maconheiros” e nada, nem de longe, jamais chegou à acontecer.


Mas reafirmo... não é culpa única e exclusiva do Caldas Country. Não é culpa do excesso de gente. O principal motivo do episódio é a constante e, pelo visto, irremediável queda na educação geral do povo. É um assunto delicado, cujo o debate é saudável, porém tedioso. Necessário, porém enfadonho. Urgente, porém infrutífero.


Não é à toa que, além da matéria do Diário da Manhã, outra me chamou atenção de forma semelhante, dessa vez, publicada pela renomada(apesar do recente escândalo) BBC.


Link:


http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/11/121127_educacao_ranking_eiu_jp.shtml

Concluir o posting com a chamada de uma matéria externa é um tanto quanto estranho e nada ético, podemos assim dizer, por isso, peço minhas desculpas. No entanto, reforça um pouco as credenciais gerais necessárias para dissertar sobre as peculiaridades do assunto tratado, já que, para a maioria dos frequentadores do Caldas Country e outros eventos semelhantes, eu seria alguém – no mínimo – preconceituoso. Para outros, eu ainda seria, além de preconceituoso, pobre, invejoso e ainda por cima, biba, por supostamente “não gostá das muié”.


E é isso aí. Avante Goiás.

Avante Merrecolândia.

E.Moraz.

 
UPDATE: Eu estive em Las Vegas em 2013. Desnecessário, mas vou dizer assim mesmo: tem nada a ver com Caldas Novas. Nada, nada, nada.

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