domingo, 22 de janeiro de 2012

Então Você Diz: "Sou Mais Inteligente e Educado Que a Maioria". Triste Fato: Você Está Certo

É apenas mais um dia. Você acorda, faz sua higiene, ocasionalmente toma o seu café da manhã e vai para o trabalho. Seja lá por onde for o seu trajeto e o método de transporte usado para o cumprimento de seu dever diário, todos os infortúnios protagonistas os quais causam as possíveis reflexões do título acima começam a pipocar na sua cabeça. Fatos conhecidos e lamentáveis.

Vejamos alguns deles:

No trânsito, a maioria das pessoas não respeita absolutamente nada. Você até tenta fazer as coisas do jeito certo, mas às vezes é impossível.

Situação bem comum: dependendo da cidade onde você está, ao tentar parar antes da faixa de pedestres, você corre o risco de sofrer uma colisão na traseira do seu carro. Em Goiânia, por exemplo, você tem de pensar rápido - muito rápido - e escolher entre 3 opções distintas:

1 - Você para antes da faixa, deixa o pedestre passar e em frações de segundo, pensando consigo mesmo, pede a Deus ou a seja lá quem for, para que a parte de trás de seu carro não seja alvejada durante o caminho do transeunte. Também pensa, numa velocidade indescritível, na possibilidade de que, se conseguir parar devidamente antes da faixa, uma possível colisão poderá arremessar seu carro contra o pobre pedestre durante sua aventura em atravessar a via.

2 - Você decide não parar antes da faixa e, evidentemente, se arrisca em cometer um atropelamento. Não haverá colisão traseira no seu carro, mas poderá matar ou aleijar alguém. Se o pedestre for esperto, ele vai continuar na posição dele e só voltará a tentar atravessar quando não tiver nenhum outro carro vindo em direção à faixa. Você conta com esse raciocínio por parte do transeunte. O problema, é que se tal linha de pensamento não ocorre...

3 - Você decide parar e então coloca a sua mão do lado de fora em uma tentativa quase desesperada e perigosa de mostrar ao motorista de trás que sim, decidiu por parar antes da faixa. Teve a grande sorte de nenhuma moto passar rente a seu membro superior esquerdo. Sua habilidade ao olhar no espelho retrovisor permitiu avaliar a possibilidade da façanha dar certo. Ao mesmo tempo, quase instintivamente, ligou o pisca-alerta em reforço na tentativa de mostrar que algo na frente de seu carro merece atenção e por consequência natural de todo o episódio, vai ter der parar o seu veículo. A esperança, é que o sujeito de trás entenda o que vai ser feito. Nesse caso, as possibilidades de alguém proferir palavras sórdidas contra a senhora sua mãe são de 99%. Mas tudo acaba bem. Você não vai se ofender com isso, vai?

Tem gente que se ofende. E, claro, coloca isso como argumento de justificativa para jamais tentar a terceira opção. Se por ventura tal manobra é executada e acaba ouvindo bobagens, estende a situação a ponto de iniciar uma confusão dos diabos. Não é segredo a ninguém até onde uma coisa dessas pode ir...

Tudo bem. Você não usa seu carro para ir ao trabalho e sim o transporte público de sua cidade. Vários são os motivos. Não é todo mundo com dinheiro suficiente para comprar um carro, não é mesmo? Há também a conveniência de não ter de enfrentar uma verdadeira cruzada para achar um estacionamento. Deixar o carro exposto enquanto se está no trabalho também tem lá seus riscos, isso sem mencionar os terríveis e intermináveis engarrafamentos. E os flanelinhas? Melhor nem chegar a pensar em sair de casa sem o soldo o qual estão acostumados a receber. Do contrário, o prejuízo pode ser maior e geralmente é. Também existem aqueles com a louvável preocupação com o meio ambiente: usam seus carros apenas quando nenhuma outra alternativa é viável. Como disse, são vários os motivos. Pena as alternativas também não serem suficientes para a resolução de todos os problemas relacionados e na verdade, em determinadas circunstâncias, as coisas podem ser até bem piores. Os "bikers" sabem muito bem disso. Bem aventurados os que podem trabalhar em casa ou podem chegar em seus devidos locais de suas jornadas laboriosas apenas com alguns passos.

Voltando a falar de Goiânia, o transporte público é uma verdadeira lástima. Nada funciona como deveria, simples assim. E em várias capitais e metrópoles regionais, o mesmo pode ser dito, com plena convicção.

Se todos os problemas inerentes à falta de educação da maioria dos indivíduos estivesem centralizados apenas nos exemplos citados, tudo estaria muito bom. Mas não ocorre desse jeito...

O call center de um banco ou instituição qualquer não te deixa em paz. Ironicamente, quando você precisa de tais serviços, não vai ser atendido como deveria. Pergunte-se: o que houve com a  lei sobre a limitação de tempo de espera pelo cliente quando este requer algum atendimento via telefone? A única lei a vir em nossa reflexão acaba sendo a famosíssima "Lei de Murphy". Essa sim, parece reger todo o planeta.

Uma seleção para determinado cargo diz entrar em contato com você em uma semana, para lhe informar sobre a necessidade ou não de seus serviços. Você espera, e espera e espera... e nenhum contato ocorre. Como ainda não foi chamado para qualquer entrevista, resolve candidatar-se em outro lugar. Caso as coisas ocorram de maneira satisfatória, uma péssima impressão será causada no departamento de RH da tentativa anterior, mesmo se tiverem ligado para você 3 meses depois.

Alguém de uma empresa deveria lhe fornecer uma informação sobre algo. Afinal, ao menos na propaganda, tal indivíduo deve ter sido treinado para isso. Mas não lhe diz absolutamente nada. Pelo menos, nada coerente com seu desejo e necessidade de saber. Você ainda acredita nas avaliações de atendimento? Na possibilidade delas providenciarem alguma melhoria no futuro? Esqueça. Nem perca seu tempo em avaliar.

Determinadas empresas lhe oferecem garantias sobre seus produtos, no entanato, sem uma verdadeira cruzada épica através das redes sociais, PROCON, e muitas vezes na justiça, o problema não é resolvido. Se for, levará um bom tempo. E você continuará esperando, como sempre.

Mas nada disso é o pior. As verdadeiras lástimas são quando constatamos a burrice e a falta de educação generalizadas em episódios comuns no cotidiano. O pior é quando há prazer em gente tacanha desrespeitar o direito do semelhante, como se fosse algo certo a fazer. É um fator de cultura já enraizado na grande maioria, de acordo com a simples "filosofia" do "malandro é malandro e mané é mané".

Coisas que já lhe aconteceram, caso contrário, ainda vão, lamentavelmente acontecer:

Ao entrar em um elevador ou em um recinto qualquer, você diz "bom dia" ou "boa tarde", ou "boa noite" e não recebe qualquer resposta. No máximo alguém vai te olhar de cima para baixo, de baixo para cima e é isso aí. 

Alguém deixa cair um objeto qualquer bem na sua frente. Você, como uma pessoa educada, faz questão de resgatar o objeto do chão e entrega-lo a seu dono. Espera-se ouvir alguma exclamação de agradecimento, mas ao invés de um simples "obrigado!", o indivíduo te fita com uma expressão incólume de superioridade, como se fosse obrigação sua ter realizado a ação de lhe entregar o que foi parar no chão. Como se não bastasse, o tal objeto é arrancado de sua mão, numa ação de grosseria inenarrável.

Pessoas e seus celulares. Essas chegam a ser até engraçadas, dependendo de nosso humor e de nossa paciência. Começam a falar alto a ponto de pensarmos: "Será mesmo necessário usar um celular? Numa altura de voz dessas, o interlocutor do diálogo é capaz de ouvir de qualquer maneira, não importa a distância". Não escolhem hora nem lugar. Tocou/vibrou? O berreiro começa. Você não tem nada a ver com aquilo e por isso é bom ficar calado e nem sequer pense em fazer cara feia. Pode dar problema.

Você reservou uma mesa em determinado estabelecimento. Ao chegar, ela já está ocupada. Leva o caso para a recepção, gerência ou qualquer outra coisa com aparente autoridade para resolução da situação. Sorte sua se tudo for resolvido a contento. Geralmente, espera-se. E espera-se muito.

Ao realizar um pedido em um restaurante, leva-se cerca de uma hora ou mais para tudo chegar. Nesse caso a situação é clássica: comida fria ou insossa e bebidas quentes. Ao chegar em casa, depois de ter reclamado in loco e ter obtido uma solução apenas parcialmente satisfatória, você envia uma mensagem para a gerência do restaurante relatando o episódio com detalhes. Afinal, não é de seu desejo algo assim acontecendo novamente, seja lá com quem for. Além do mais, é natural pensar estar prestando um favor ao lugar, principalmente quando a falta é algo fácil de ser corrigida. Surpresa: você recebe uma resposta com um pedido de desculpas e um convite formal para voltar ao estabelecimento e ser atendido sem qualquer ônus, tudo para amenizar a péssima impressão. Após aceitar o convite, na hora de se retirar do lugar, você informa todo o ocorrido - mais uma vez - e ouve algo próximo a "Desculpe, mas eu não fui informado sobre nada disso. O senhor terá de pagar a conta".

Seu vizinho de cima é uma monstruosidade no sentido de ter gerado 3 frutos diretos de um casamento e não deixa você nem sua família em paz. Não importa se é dia de semana. Não importa se é de madrugada. O barulho é intenso e sempre ocorre quando você e os seus estão tentando dormir. Você reclama com o vizinho, através de uma carta, mantendo a boa educação nas palavras. Sem resultado. Você reclama indo até seu apartamento, mantendo novamente, a boa educação. Sem resultado. Você reclama com o síndico, evidenciando o fato de ser um condômino exemplar, afinal, você nunca faz festas, paga suas taxas em dia, contribui para a coleta seletiva de lixo e nunca incomodou ninguém. Tudo dentro dos melhores padrões da boa educação. Sem resultado. Finalmente, você comunica a seu vizinho que está levando o caso para a justiça. E recebe uma ameaça de morte.

Ao parar em um posto de combustíveis você pergunta em alto e bom tom: "Vocês aceitam cartões de débito e crédito?" Recebe uma resposta positiva. Porém, para reforçar, ainda incrédulo, pergunta: "Estão passando os cartões?" Novamente recebe sinal de "joinha" do frentista. Quando o procedimento é terminado, alguém do posto grita: "Não tá passando cartão não!"

Sua equipe de trabalho está finalmente montada. Mesmo sem ser o chefe, alguém dela pergunta: "Quanto você vai ganhar? E Fulano? E Cicrano? Cicrano sabe quanto Fulano vai ganhar? Eles sabem quanto vou receber?"

Nada muito sério de fato quando coisas asssim acontecem vez ou outra. Porém o grande problema está no fato de episódios semelhantes estarem ocorrendo com uma frequência assustadora e isso, sem citar coisas bem piores. Sabemos as causas. Sabemos os motivos. E nada parece melhorar.

É bem pouco provável a possibilidade de alguém retaliar tais acontecimentos da forma como fez o personagem do filme "Falling Down" de 1993, estrelado por Michael Douglas e porcamente traduzido no Brasil como "Um Dia de Fúria". Não diria ser impossível, pois não é nada difícil, ainda mais no dias de hoje, ter a vontade de sair por aí com pequenos canhões fazendo justiça com as próprias mãos.

Difícil mesmo é não pensar na possibilidade quase certa de você de fato ser muito mais inteligente e educado que a maioria.

Por essas e outras, arrisco dizer:

Você está certo. Infelizmente.

E.Moraz.

UPDATE: Segunda-feira, 23 de Janeiro. Eu e meus colegas de trabalho fomos a uma padaria no break time da tarde. Meu chefe estava com fome. Perguntei ao rapaz que estava no comando da chapa, que tipo de sanduíche ele servia. "Pão francês com presunto e queijo ou com hamburger, presunto, queijo e ovo". Meu colega não pensou duas vezes e pediu o "modelo completo", mas perguntou se era hamburger bovino. O rapaz disse que sim. Ao sermos servidos, meu colega notou, depois da primeira dentada que o sanduíche dele estava "equipado" com hamburger de frango. Então seguiu-se o diálogo abaixo:

- "Hey... esse hamburger é de frango!"
- "É..."
- "Mas eu perguntei a você se era bovino!"
- "É... mas do outro acabou."
- "Acabou?!?"
- "É..."
- "E você não me fala nada?!?"
- "Posso tirar se você quiser"

Meu colega olhou pra mim e me perguntou:

- "Sobre o que mesmo se trata a sua última postagem em seu blog?"

E continuou comendo seu sanduíche. Sem dizer mais nada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sou um Ser Inferior e um Bastardo Hipócrita: Eu Como Carne

Eu como carne.

Sim, eu sou um miserável hipócrita. Afago cães e gatos, acho cavalos e pôneis lindos, comento a beleza do gado roliço e vistoso nos pastos de Goiás - ainda mais agora na época das chuvas. Os campos estão verdes. A paisagem belíssima. E os animais, maravilhosos.
Mas eu como carne. Não sou apenas um hipócrita. Sou também um ser inferior.

Com a mais absoluta certeza desse mundo essa seria a opinião dos vegetarianos a meu respeito. Sem sombra de dúvidas me crucificariam ou arquiteriam algo de crueldade um pouco mais requintada.

Não, eu não vou colocar nenhuma justificativa ou qualquer elemento de defesa quanto aos meus hábitos alimentares. Reconheço minha hipocrisia e minha inferioridade, bem como meu tenebroso gosto por carne vermelha, carne branca... a cor não importa.

Porém eu tenho uma pergunta aos veganos, vegetarianos ou sei lá quais são as outras alcunhas dos seres superiores:

Com toda a minha ruindade, eu sou tão hipócrita/inferior em comparação com a enfermeira responsável por espancar um pequeno cão da raça Yorkshire até a morte?

Caso alguém ficou em uma caverna por tempo demais e não tem a menor ideia sobre o assunto, o caso é tão simples quanto triste. Uma enfermeira de 22 anos espancou o bichinho até a morte e chegou a fazer isso em frente ao próprio filho, uma criança de apenas dois anos de idade. Tudo bem. É notícia antiga certamente. Não devido ao fato de ter ocorrido e veiculado na mídia de outra era, mas devido a duas circunstâncias deveras interessantes nos dias de hoje: o que é dito/lido agora está obsoleto e gasto em apenas um segundo e a parca memória do brasileiro reforça a primeira afirmação.

Algumas referências - ainda desprovidas de detalhes sobre o caso - podem ser lidas no link a seguir. Também é possível conferir um vídeo com cenas nada bonitas de se ver. Uma certa cautela é recomendável quanto à execução do vídeo, principalmente, se crianças e pessoas mais sensíveis estiverem no recinto e isso inclui os seres superiores. Afinal, a hipocrisia em geral precisa ser mantida:


Como disse, não justifico minhas atitudes, ou a falta delas. Mas permito-me a justificar o motivo da pergunta realizada aos veganos, vegetarianos... seres superiores em geral.

Os hipócritas consumidores de carne como eu, não agridem animais gratuitamente. Em primeiro lugar, por não haver a mínima necessidade disso, e em segundo lugar, pelo fato de que alguém com o mínimo de discernimento consegue entender sobre o significado de ter um animal de estimação. Fácil de compreender: a pessoa não gosta de animais? Direito dela. É recomendável não tê-los em casa. Mais simples, impossível.
Em terceiro lugar está o fato de que, apesar de não ser nada nobre, o consumo de animais para alimentação é uma coisa. A agressão gratuita aos bichos é outra.
É, eu sei. Não há diferença, certo? Tudo bem. Para os seres superiores, o ato de sentar-se à mesa e comer carne, provavelmente é tão agressivo quanto ao que essa mulher fez.

A hipocrisia permite estender a reflexão ao ponto de acreditar sobre a atitude de ir saborear uma determinada refeição. Alguém já realizou o trabalho sujo de ter destruído a vida do animal. É tudo muito prático, conveniente e de uma acomodação assustadora. É uma hipocrisia de teor inenarrável. Mas ainda assim, ficam minhas dúvidas sobre os teores de crueldade.

Vamos ao açougue ou ao supermercado e tudo está lá, pronto para ser levado para casa. Ou então basta pedir, pagar e consumir na mesma hora, em qualquer cadeia de fast-food. Pronto. Mais uma vez o serviço sujo já foi executado. Basta aproveitar. De fato não deixa de ser uma atitude de uma crueldade terrível.

Sem sombra de dúvida os paralelos já estão quase consolidados na cabeça. Não é nada difícil imaginarmos sobre tudo ser desse jeito. É assim com as drogas, é assim com o tráfico internacional de armas, bebidas, diamantes, seja lá o que for. Alguém faz o serviço sujo pelo simples motivo de que, lá no final do fluxograma, alguém está pagando por tudo e recebendo o nefasto benefício, no auge do pódio de hipocrisia. É um sistema podre, realmente.

Convenhamos: se não existissem viciados, não haveria tráfico de drogas. Se não existissem usuários de pedras preciosas, não haveria tráfico de diamantes, se não houvessem consumidores de álcool, não haveria contrabando de bebidas. Se não houvessem políticos, máfia, países, criminosos, exércitos e sei lá mais o que, não haveriam vendas de armas, dentro ou fora da lei.

Se não houvessem os humanos, o mundo seria perfeito, talvez.

Mas, restringindo-me apenas ao foco do assunto tratado, se não houvessem os hipócritas consumidores de carne como eu, animais não seriam mortos. Faz sentido, não é mesmo? De fato faria, se a coisa toda não fosse um pouquinho mais complicada...
Imaginemos por um momento o desaparecimento, por mágica, de todos os seres inferiores do planeta como eu. Em tal hipotética situação, os seres superiores iriam vibrar. No entanto, estariam ainda bem longe da solução de seus problemas. Infelizmente.

Vejamos:
- Os rodeios são práticas de agressão gratuita aos animais, para puro entretenimento, sem qualquer benefício direto para os espectadores do evento. Mais interessante, é o fato da prática ser legalizada e considerada, às vezes, um "esporte". Os rodeios acontecem em praticamente todos os países ocidentais e na Europa, as touradas e outros eventos envolvendo a crueldade aos animais são bem conhecidas e bizarramente toleradas pelos governos.

- As brigas de galo em nosso glorioso país não são reconhecidas nem legalizadas, mas elas acontecem. E assim como rodeios, são eventos de entretenimento mórbido. Fomentam uma verdadeira indústria equivalente aos jogos de azar. Afinal de contas, apostas - muitas vezes altas - são realizadas em verdadeiros torneios de longa duração praticados em diversas cidades em vários estados diferentes.

- Os laboratórios farmacêuticos e demais centros de pesquisa utilizam animais para todo tipo de experiências possíveis e imaginárias. Recentemente, uma entidade norte-americana de proteção aos cães da raça "Beagle" resgatou alguns cães adultos, mantidos em cativeiro para experiências envolvendo o desenvolvimento de cosméticos. Cosméticos. Não remédios. Os bichinhos jamais tiveram contato com a luz do sol e suas patas nunca haviam tocado um solo natural. A dieta dos animais era constituída de alimentos repletos de substâncias condizentes a processos de metabolismo os quais poderiam facilitar a leitura de resultados a serem obtidos a partir da ingestão de substâncias especialmente projetadas para os testes. Só após longos 10 minutos, depois da equipe de resgate chegar em um parque e posicionar as gaiolas no chão, o primeiro cãozinho teve coragem suficiente para sair de seu pequeno espaço de confinamento.

- Em certos países onde a densidade demográfica é absurdamente alta e a falta de alimentos é uma realidade muito mais tenebrosa quando comparada aos lugares onde parcos programas de alimentação são empurrados goela abaixo da população; (leia-se "Fome Zero", que de zero teve justamente sua eficiência), tudo o que se move é considerado comida. Isso inclui roedores e insetos. É assim na China, na Índia, no Laos, no Vietnam e em vários países do continente africano. Nesses caso, não se trata de hipocrisia. Trata-se de necessidade mesmo. Enquanto discorro sobre o assunto sem a menor base de defesa a favor do meu ser, alguém está morrendo de fome nesse exato momento na Coréia do Norte e só Deus sabe mais onde.

Sim, sou um bastardo cruel. Não há dúvidas quanto à isso. E também não há como dizer algo sobre haver alguma justificativa quando diferentes teores de crueldade são colocados em questão. Via de regra, uma crueldade não se difere de outra. O ato de ser cruel com algo ou alguém é igual ao ato de ser cruel com vários "algos" ou "alguéns".

Não vou estender a questão ao ponto de colocar em cheque algumas práticas de comportamento de certos espécimes dos seres superiores. Apenas posso dizer sobre o quanto é estranho quando alguns veganos e vegetarianos consomem determinadas substâncias ilícitas. Alguns cheiram cocaína e outros fumam maconha, coisas que eu nunca fiz na minha vida e não tenho intenção alguma de fazer.

Mas certamente são pessoas melhores do que eu.

Não comem carne.

E.Moraz.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Você sabe qual foi a primeira música "ripada" para Mp3?

Claro que sabe. Hoje em dia a gente sabe tudo. Basta ir até o Google e pronto. Se o Google não resolver, a Wikipédia resolve. Tudo bem que o nome do ex presidente Lula ficou um bom tempo lá com a grafia errada, por um arranjo especialmente concebido pela revista VEJA para provar que a Wiki não é tão “quente” assim, mas, isso é outra estória...

Suzanne Vega é informalmente considerada a “Mamãe do Mp3” por ter sido a autora da canção em estilo a capella “Tom’s Diner”, escrita em 1981 e lançada pela primeira vez em Janeiro de 1984 na Fast Folk Musical Magazine, uma combinação de revista com um disco de vinil. Muito querida dos artistas na época, por divulgar novos talentos, a revista-disco ajudou aos artistas folk ganharem certa notoriedade de 1982 a 1997. Pelas bandas de cá, “Tom’s Diner” apareceu no primeiro vinil de estúdio da cantora, “Solitude Standing”, de 1987. 

Não conhece nada da artista? Olha que conhece!!! Se você era vivo em 1987 e já grandinho o suficiente para pedir ao seu pai um dinheirinho para comprar discos ou fitas para gravar vinis dos amigos e de vez em quando se deparava com um rádio sintonizado em alguma estação FM, você já ouviu Suzanne Vega, mesmo sem o estilo “folk” ser seu preferido. Claro, já existia CD no Brasil. Mas ainda era coisa fina e cara pra caramba. Além do mais, quando o tal hoje em dia desprezado disquinho prateado apareceu, só haviam peças de compositores clássicos. Nada de Beatles, Stones, Iron Maiden ou da própria Suzanne Vega.

Mas não foi com “Tom’s Diner” que Vega literalmente arrebentou aqui no Brasil e sim com “Luka”, uma bonita canção, parte da trilha sonora internacional da novela “Mandala” da Rede Globo. Em todo lugar onde se ia, em qualquer bar, restaurante, clube ou festinha, ouvia-se:


“My name is Luka... I live on the second floor... I live upstairs from you... Yes! I think you’ve seen me before...”.


Lembrou? Não? Então eis aqui a parte do primeiro refrão:


“...if you hear me something late at night, some kind of trouble, some kind of fight;


Just don't ask me what it was...

Just don't ask me what it was...

Just don't ask me... what it was..."

E agora? Lembrou? Bonitinha né? Mas, infelizmente, a canção conta uma estorinha triste de um garotinho que sofria a famosa e lamentável violência doméstica aonde vivia, no segundo andar de um prédio de apartamentos. É... a relidade de nossos tempos não é, como sabemos, formada por fatos novos...

O curioso de toda a estória, é que Vega não teve diretamente nada a ver com o desenvolvimento do Mp3 e é bem provável que a artista só tenha ficado sabendo de seu título como "Mamãe do Mp3" bem depois de sua canção ter sido usada nos experimentos da então nova tecnologia.


O "culpado" da façanha foi um engenheiro de áudio alemão chamado Karlheinz Brandenburg. Trabalhando para o instituto Fraunhofer, também conhecido pelo título de "sociedade" homônima, ele recorda:


"Eu estava pronto para executar os ajustes finos em meu algoritmo de compressão... em algum lugar no final do corredor, um rádio transmitia 'Tom's Diner'. Eu fiquei eletrificado. Eu sabia que seria quase impossível comprimir aquela voz a cappella tão macia".

Em seus primeiros experimentos, Brandenburg não obteve muito êxito. A voz de Vega continuava distorcida. Porém, utilizando a canção como base de esquema de aperfeiçoamento do algoritmo de compressão, o engenheiro finalmente conseguiu produzir uma versão de "Tom's Diner" com a qualidade das opções de bitrate do Mp3 como conhecemos hoje. A canção então tornou-se a primeira música a ser "ripada" para o formato de arquivo Mp3. Todos os testes envolvendo as experiências com o Mp3, envolveram a canção de Vega.

Como praticamente tudo o que é lançado, "Tom's Diner" possui várias versões diferentes. Em "Solitude Standing", o primeiro álbum de estúdio da cantora, a faixa aparece duas vezes. Uma delas é a versão utilizada por Brandenburg para seus testes de ajustes de compressão e a outra, apenas instrumental. Esta possui um "beat" totalmente diferente da versão cantada por Vega. Depois vieram os vários e inevitáveis remixes. Várias versões incluem o ajuste de tempo da versão instrumental sob a versão a cappella.


Confira a seguir o vídeo oficial de "Tom's Dinner", em sua versão original, sem a parte instrumental. Em seguida, o vídeo de "Luka", o primeiro e único "hit" da cantora verdadeiramente emplacado no Brasil e finalmente, a faixa título de seu primeiro álbum de estúdio, "Solitude Standing".

 
Suzanne Vega - Tom's Diner

Suzanne Vega - Luka
 
Suzanne Vega - Solitude Standing