sexta-feira, 13 de dezembro de 2013



DESABAFO


Não me irrita ver coisas minhas copiadas e juro pela alma do meu pai que não fico nem um pouco abalado quando algo que fiz não me rendeu nada, mas deixou alguém em situação confortável – pelo menos por algum tempo – copiando descaradamente algo que eu originalmente criei. Sim, é isso mesmo. Eu sou especialista em dar dinheiro pruzôto.
  
Tenho mais de 200 livros de informática publicados e isso nunca me rendeu nada além de dinheiro suficiente para pagar as contas de cada mês em que cada bendito livro foi lançado. E acredite, não estou reclamando, apenas comentando para criar a base do que vou colocar logo mais embaixo.


Uma certa editora me prometeu pagar royalties sobre o preço de capa de algumas publicações de acordo com uma porcentagem – ínfima é claro – e para provar a honra de seus compromissos, se prontificou a enviar “relatórios semestrais de vendas” onde haveria “discriminação de vendas por unidade” e os “locais onde as mesmas foram executadas, bem como todos os valores de preços, transportes e tributações”.


No período de 1998 a 2010 recebi o tal relatório semestral apenas uma vez. Não reclamei. Sim. “mea culpa”.
  
Então vejo uma porção de gente “escrevendo apostilas” e até mesmo livros com títulos pomposos e formatos interessantes como, por exemplo, “pacotes completos para o aprendizado da informática” com todo o meu material sem tirar uma vírgula sequer. Apenas apagam o “Eduardo Moraz”. Eu sou bobinho. Me sinto orgulhoso. Mesmo se não tiver meu nome. Dinheiro ?!? Nem comento...

 
Cansei de fazer vinheta para estações de rádio de diferentes cidades e não ser pago. Também cansei de fazer vinheta para estações de rádio, não ser pago, e a tal vinheta ser usada por outra estação de rádio. Aliás, bem curioso isso. Nunca entendi o processo mas... quem se importa?!?


Cansei também de ter realizado trabalhos de soundesigning para uso em comercial de TV e nunca ter recebido um centavo sequer por isso. Teve problema não. O produto não prestava e era melhor não queimar o filme.
  
Acredite. Nada disso me abala.


PORÉM; (sempre temos um “porém”, NÉ!?!) me abala um bocado ver a utilização de material original, de minha autoria, ser “reciclado” sem minha permissão em benefício do nefasto governo do estado. Admira-me um bocado a tal pseudo agência de publicidade não ter o mínimo de verve criativa para bolar algo em que – ironicamente – na época não teve qualquer atenção. É engraçado, estão revirando as latas de lixo para aproveitar coisa que eu pensava não existir mais... É bem a cara do lugar... um monte de cães raivosos, fedidos e sujos revirando as latas de lixo para assegurarem a ração do mês. Não à base de lagosta, faisão e champagne. Não possuem refinamento intelectual e cultural para isso. É à base de arroz branco, pequi, cerveja nacional guariroba e maconha mesmo.


Trata-se de uma técnica interessante e funciona assim: “Nada do que você fizer presta. Mas, deixa guardado aí”. Passa-se o tempo, e então o que você fez é usado, mas os louros não vão para você. Vão para... “outra pessoa”, e quando se fala em “louros”, não estou falando apenas de dinheiro, e sim da mostra de que sua capacidade de criação pode ser muito bem usada quando bem canalizada.
  
Mas é mais fácil roubar o que você faz. É mais prático e bem mais conveniente.


Dinheiro?!? Não chefe. Não se trata única e exclusivamente de dinheiro, assim como elucidei nos 7 primeiros parágrafos. Trata-se – pasme – de ideologia. Acredite ela ainda existe nas pessoas honestas e eu sou uma delas. Infelizmente.
  
Sou uma puta barata, chefe. Mas como toda puta eu sou “complicada”. Vou explicar o motivo:


Quer os meus serviços?!? Você só precisa de duas coisas. Dinheiro e ideologia. E então você pode pensar... “Pô... assim fica difícil!”
  
Não fica não, chefe. Você só precisa de MUITO POUCO dinheiro. Mas vai precisar sim, de muita ideologia. Quando as coisas são assim, eu funciono, chefe. E modéstia à parte, funciono muito bem.


É impreterivelmente crucial dizer sobre ser impossível citar a famosa frase “dessa água não beberei” em determinadas circunstâncias. Por isso, não posso dizer que jamais voltarei a trabalhar com publicidade. Mas há uma coisa que posso sim, dizer com toda convicção do mundo: prefiro passar fome a fazer o que quer que seja para o maldito governo e qualquer um de seus políticos, puxa-sacos, ou qualquer outro verme relacionado. Mesmo porque fome eu não passo. Há capim demais por aí afora e burros como eu podem aproveita-lo até se fartar.
  
Foi dureza ver algo que fiz e que jamais deveria ter aparecido beneficiando o sistema que mais tenho nojo, asco, raiva, ódio e toda sorte das mais negativas sensações humanas. Para a maldita pseudo agência de publicidade que “criou” e veiculou isso, eu realmente desejo que continuem podendo bancar a sua cerveja, a sua guariroba e sua maconha. Que assim seja.


Para o governo do estado, não importa quem tenha feito. Não importa quem tenha criado e se a pessoa que deveria ter recebido algo de fato teve seu quinhão. Isso sempre foi assim, é desse jeito, jamais mudará e, além de meu humilde desabafo, só posso fazer mais uma coisa, como tenho feito durante toda a minha existência:
  
Me conformar.

NÉ!?!